Bangcoc, 27 dez (EFE).- O Governo da Tailândia iniciará hoje a deportação de cerca de quatro mil laosianos da etnia hmong que, segundo as Nações Unidas, correm o risco de ser alvo de perseguição se voltarem ao Laos, indicaram fontes oficiais.

Os primeiros grupos de membros da tribo Hmong, que o regime laosiano aponta como responsável pela maior parte das ações de sabotagem e ataques contra suas forças, partirão nas próximas horas do campo de Huay Nam Khao, na província de Petchabun, 280 quilômetros ao norte de Bangcoc.

De acordo com oficiais da Polícia citados pela imprensa local, a primeira fase da repatriação acontecerá por meio de vários ônibus que viajarão escoltados pelas forças de segurança por cerca de 300 quilômetros até a cidade tailandesa de Nong Khai, na fronteira com o Laos.

O primeiro-ministro tailandês, Abhisit Vejjajiva, assegurou esta semana que a repatriação era imparável, em resposta ao pedido feito à Tailândia pela ONU para que interrompesse o processo.

A ONU lembrou ao Governo da Tailândia que a legislação internacional obriga uma nação a garantir que o retorno a seu país de pessoas reconhecidas como refugiadas ou que necessitam proteção deve ser sempre voluntário.

A União Europeia (UE) também expressou sua preocupação sobre a repatriação destes milhares de pessoas da minoria hmong que fugiram do Laos para refugiar-se na Tailândia.

A minoria hmong, cujos membros formam comunidades disseminadas pelas montanhas do Laos, Mianmar (antiga Birmânia), Tailândia e o sul da China, lutou ao lado das forças dos Estados Unidos até o final da guerra, em 1975.

Em 2003, os EUA acolheram cerca de 14 mil pessoas da tribo Hmong que se encontravam na Tailândia, mas desde então, outros oito mil cruzaram a fronteira tailandesa com o Laos para tentar conseguir asilo em um terceiro país.

A ONU pediu às autoridades tailandesas mais tempo para encontrar uma solução, como a de outros países que estejam dispostos a aceitar os refugiados, de maneira que se respeite o princípio internacional que impede as repatriações forçadas.

No entanto, o Governo da Tailândia afirma que um estudo realizado com esses refugiados indica que a maioria deles emigrou do Laos por motivos econômicos, e que apesar da preocupação internacional, nenhum país mostrou interesse em aceitá-los. EFE tai/mh

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