Tailândia decreta emergência em aeroportos

O primeiro-ministro da Tailândia, Somchai Wongsawat, declarou nesta quinta-feira estado de emergência na área em torno dos dois aeroportos da capital, Bangcoc, que foram invadidos por manifestantes que exigem sua renúncia. Em um pronunciamento transmitido pela televisão tailandesa, Somchai disse que tomará todas as medidas necessárias para pôr fim aos protestos contra o governo nos aeroportos e que a Força Aérea e unidades navais serão mobilizadas para auxiliar a polícia.

BBC Brasil |


Somchai fez o pronunciamento após uma reunião de emergência do gabinete realizada na cidade de Chiang Mai, no norte do país. O primeiro-ministro disse que o estado de emergência será temporário.

O estado de emergência proíbe reuniões de mais de cinco pessoas, sob pena de prisão imediata. Também podem ser impostas restrições à imprensa.

Resistência

Os manifestantes, liderados pelo partido Aliança Popular pela Democracia (PAD, na sigla em inglês), exigem a renúncia do primeiro-ministro.

Os protestos vêm sendo realizados há semanas, mas foram intensificados com a invasão do aeroporto internacional e do aeroporto doméstico de Don Mueang. Os manifestantes se recusam a sair do local e afirmam que vão resistir.

Centenas de vôos foram cancelados e dezenas de milhares de turistas permanecem presos em Bangcoc sem conseguir embarcar.

O governo já ofereceu às companhias aéreas comerciais o uso de bases aéreas militares para que os turistas presos em Bangcoc possam embarcar de volta a seus países.

Os protestos ocorrem na alta temporada e podem ameaçar a indústria de turismo, uma das principais da Tailândia.

O correspondente da BBC em Bangcoc, Quentin Sommerville, diz que não será fácil retirar os manifestantes dos aeroportos, porque eles já deixaram clara sua intenção de resistir e convocaram outros para bloquear as ruas próximas aos terminais.

Temor de golpe

O PAD é um grupo formado por homens de negócio, pessoas leais ao rei e representantes da classe média urbana. Eles pedem a renúncia do governo de Somchai porque consideram que ele é muito próximo do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, acusado de corrupção e abuso de poder.

Em 2006, o mesmo grupo liderou os protestos em Bongcoc que precederam o golpe militar que acabou por derrubar Thaksin.

Segundo Sommerville, relatos de movimentos de tanques militares em Bangcoc provocaram temores de um novo golpe militar.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro rejeitou um pedido do comandante do Exército, o general Anupong Paochinda, para que convocasse novas eleições e deixasse o poder.

"Volto a assegurar ao povo que este governo, que é legítimo e surgiu a partir de eleições, vai continuar funcionando até o fim", disse Somchai em um pronunciamento também transmitido pela televisão. "Minha posição não é importante, mas valores democráticos são."
Apesar da sugestão, o general negou qualquer tentativa de golpe.

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