News of the World grampeou estudante desaparecida e famílias de vítimas de ataques de 2005; companhias retiram anúncios de jornal

Milly Dowler, em foto sem data
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Milly Dowler, em foto sem data
Telefones de parentes de soldados britânicos mortos supostamente foram grampeados pelo tabloide britânico News of the World, denunciou nesta quarta-feira The Daily Telegraph. Segundo o jornal britânico, telefones de parentes foram encontrados nos arquivos do investigador particular Glenn Mulcaire.

A nova denúncia amplia o escândalo em que empregados do jornal - que pertence à News Corp., império midiático de Rupert Murdoch - foram acusados de grampear os telefones de uma estudante desaparecida , de famílias de vítimas dos ataques terroristas de 2005 em Londres, da família real britânica e de celebridades e figuras públicas da política, do esporte e do entretenimento.

Antes da denúncia de que famílias de soldados mortos teriam sido grampeadas, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmou que estabeleceria um inquérido público sobre as alegações.

O escândalo a respeito de monitoramento de conversas telefônicas feitas pelo tabloide dominical surgiu em 2006, mas ganhou novo fôlego nesta semana, com a denúncia de que um detetive que trabalhava para o jornal teria grampeado o telefone celular de Milly Dowler , uma menina de 13 anos que desapareceu em 2002 e depois foi encontrada morta.

O então editor do jornal, Andy Coulson, renunciou ao comando do News of The World em 2007, após um de seus repórteres e um detetive terem sido condenados por grampear telefones de integrantes da família real britânica. No início deste ano, ele renunciou ao cargo de porta-voz do premiê, após terem surgido novas denúncias envolvendo jornalistas do News of The World e outras tentativas de invadir os telefones de políticos e celebridades.

Em meio ao escândalo, companhias correram para retirar anúncios do News of the World nesta quarta-feira, mas o magnata da mídia Rupert Murdoch descartou a possibilidade de sua principal executiva no Reino Unido, Rebekah Brooks, renunciar.

Rebekah foi editora do News of the World quando teriam sido feitas as gravações do celular de Milly Dowler. Hoje, ela é executiva-chefe da News International, divisão responsável pelos jornais britânicos da News Corp.

Foto de 24/05/2011 mostra o magnata da mídia Rupert Murdoch em Paris, França
AP
Foto de 24/05/2011 mostra o magnata da mídia Rupert Murdoch em Paris, França
Usuários do Twitter e do Facebook listaram companhias que normalmente anunciam no News of the World e conclamaram as pessoas a contatá-las para reivindicar que retirassem as propagandas. Algumas companhias, não desejando alienar sua base de consumidores, concordaram.

Na noite de segunda-feira, a Ford foi a primeira a retirar seu anúncio da maior publicação dominical britânica. Outras montadoras, incluindo a Renault, Mitsubishi Motors e Vauxhall, seguiram o exemplo na terça-feira, enquanto aumentavam as acusações.

O Cooperative Group - uma gigante do varejo que se vende como modelo de negócio ético - disse ter suspendido todos os anúncios até que a investigação do governo seja concluída. A Virgin Holidays cancelou várias propagandas previstas para a edição desta semana, mas disse que revisará a situação semana a semana. O banco Halifax também anunciou o cancelamento de suas propagandas.

Parte da fúria se disseminou para outras partes do império de mídia de Murdoch, como a TV por satélite Sky. Mumsnet, uma popular comunidade online para mães, disse que recusaria anúncios do canal depois de receber reclamações dos membros.

Dificilmente uma semana semana de boicote dos anunciantes prejudicará muita as finanças do News of the World. Mas os investidores pareceram preocupados, causando queda de 4,2% das ações da News Corp. no índice Nasdaq em Nova York.

O News of The World, que é o jornal mais vendido aos domingos na Grã-Bretanha, com uma circulação média de quase 2,8 milhões de exemplares, integra a News Corp., um dos maiores conglomerados mundiais de mídia.

Os negócios do grupo envolvem TV, cinema, jornais e publicidade. A News Corporation é dona dos jornais britânicos The Sun e The Times, do americano The Wall Street Journal e da rede de TV americana Fox.

*Com BBC e AP

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