Tabloide britânico é suspeito de presentear mãe com celular grampeado

Mãe de menina morta por pedófilo em 2000 teria sido monitorada por telefone dado pela ex-editora Rebekah Brooks

iG São Paulo |

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Foto sem data divulgada por família mostra menina britânica Sarah Payne, de 8 anos, que foi assassinada em 2000
O Reino Unido voltou a se indignar nesta quinta-feira com o caso de escutas ilegais após informações de que a Polícia Metropolitana de Londes (Scotland Yard) adicionou à lista de vítimas prováveis Sara Payne, mãe de uma menina de 8 anos que foi assassinada por um agressor sexual em 2000.

O tabloide pivô do escândalo, The News of the World , liderou a campanha pela mãe, reivindicando uma lei pela qual os pais fossem alertados se um pedófilo morasse perto de suas residências. Em texto escrito na última edição do tabloide, que circulou em 10 de julho , Sarah caracterizou o dominical de "um velho amigo". Em nome de Sarah, a Fundação Phoenix, instituição de caridade com a qual trabalhou, divulgou uma declaração em que a descreveu como devastada e desapontada.

O jornal britânico The Guardian foi o primeiro a alertar Sara, mas a newsletter enviada por email Popbitch sugeriu no início deste mês que sua caixa de mensagens de voz havia sido grampeada e de que o telefone alvo pode ter sido dado a ela de presente pela ex-editora do The News of the World Rebekah Brooks (2000-2003), como parte da campanha pela lei.

Em uma declaração, Rebekah confirmou que o News of the World forneceu um celular a Sara "pelos últimos 11 anos". Mas, disse, considera as alegações de que sua caixa de voz foi grampeada "abomináveis e particularmente perturbadoras pelo fato de Sara ser uma amiga estimada".

Rebekah, que foi forçada a renunciar como editora-executiva da News International, a divisão britânica da News Corporation de Rubert Murdoch e proprietária do tabloide extinto, recentemente testemunhou perante o Parlamento britânico de que a campanha bem-sucedida pela lei da sra. Payne provava o bem que tinha feito à frente da publicação.

O escândalo de escutas vem fervilhando nos últimos anos, mas em semanas recentes absorveu a mídia, a elite política e a polícia britânicas após alegações de que grampos feitos pelo News of the World interferiram na investigação da morte de Milly Dowler , de 13 anos, em 2006. O homem condenado por sua morte cometeu outros dois assassinatos antes de ser capturado.

Autoridades da Scotland Yard disseram a Sara Payne que seu nome constava em uma lista de cerca de 4 mil alvos mantidos pelo detetive particular Glenn Mulcaire, de acordo com a nota da Fundação Phoenix. Mulcaire, que foi condenado por acusações de escutas relacionadas ao jornal há cinco anos, tinha um contrato de exclusividade com o tabloide.

Inquérito

Nesta quinta-feira, o juiz britânico Brian Levenson abriu oficialmente o inquérito público sobre o escândalo de escutas. A comissão responsável pela investigação é formada por outros seis integrantes, entre eles dois jornalistas, um ex-chefe de polícia e um ativista das liberdades civis.

Segundo Levenson, em primeiro lugar o grupo avaliará a legislação relativa aos meios de comunicação e se é necessário fazer alterações. Depois, a investigação analisará a relação entre a imprensa, a polícia e os políticos no Reino Unido. As audiências públicas começarão em setembro e o grupo tem 12 meses para finalizar um relatório sobre o caso.

AP
Foto de 8/10/2002 mostra a então editora do News of the World, Rebekah Brooks (E), com Sara Payne, mãe de menina de 8 anos morta por pedófilo em 2000
Levenson afirmou que tem o poder legal para exigir evidências das testemunhas e que planeja utilizá-lo, caso elas se recusem a colaborar com as investigações.

James Murdoch

Apesar da pressão pelo escândalo, James Murdoch , presidente e chefe-executivo das operações da News Corp. na Europa e na Ásia, conseguiu apoio dos executivos da British Sky Broadcasting (BSkyB) para se manter na presidência da rede de televisão por satélite britânica, disse uma fonte que teve acesso ao veredicto da reunião do conselho.

A reunião do conselho da BSkyB foi a primeira desde que a News Corp. abandou a oferta de compra dos 61% de ações em circulação da BSkyB que não possui.

*New York Times, BBC e AP

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