Tabloide é acusado de grampear telefones de vítimas de atentado em Londres

Primeiro-ministro britânico promete inquérito público sobre novas acusações contra o jornal "News of the World"

iG São Paulo | 06/07/2011 08:50 - Atualizada às 09:53

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O escândalo de grampos telefônicos realizados pelo jornal britânico "News of The World", que está tendo grande repercussão no Reino Unido, ganhou proporção ainda maior após acusações de que o jornal teria invadido os telefones de famílias de vítimas dos atentados de 7 de julho de 2005, em Londres.

A polícia de Londres confirmou que está investigando o caso, enquanto o primeiro-ministro britânico, David Cameron, prometeu um inquérito público sobre o caso, assim que a investigação foi concluída. "É absolutamente nojento que isso tenha acontecido", afirmou o premiê durante debate emergencial sobre o caso no Parlamento britânico.

Graham Foukes, cujo filho morreu em um dos atentados realizados em 2005, no metrô de Edgware, foi informado pela polícia que seu nome constava de uma lista de pessoas que teriam tido seus telefones invadidos.

Em entrevista ao programa "Today", da BBC, Foukes disse que a ideia de que as conversas dele e sua família estavam sendo monitoradas após o ataque que tirou a vida de seu filho é ''horrenda'' e afirmou que gostaria de ter "uma conversa" com o magnata australiano Rupert Murdoch, dono da News Corporation (News Corp), grupo ao qual o tabloide pertence.

''Após as explosões em Londres, nenhuma autoridade nos contatou ou qualquer outra família (das vítimas) por várias dias. Estávamos usando o telefone loucamente para tentar obter informação a respeito de David e saber onde ele estava. Se ele estava em um hospital ou em outro lugar. E falamos muito intimamente a respeito de temas pessoais. A ideia que esses caras poderiam estar escutando tudo isso é horrenda'', afirmou.

Indagado se teria alguma mensagem a dar a Rupert Murdoch, Foukes acrescentou: "Eu gostaria muito de encontrá-lo e ter uma conversa aprofundada a respeito de responsabilidade e do poder que ele tem e como ele deveria ser usado de forma apropriada. Eu gostaria muito de encontrá-lo e de ter essa conversa''.

Clarence Mitchell, o porta-voz do casal Kate e Gerry McCann, pais da menina Madeleine, que desapareceu em um resort em Portugal em 2007, também contou ter sido contatada pela polícia a respeito da investigação sobre os grampos telefônicos. Mitchell diz ter verificado atividades suspeitas em sua conta telefônica em 2008.

Escândalo

O escândalo a respeito de monitoramento de conversas telefônicas feitas pelo tabloide dominical surgiu em 2006, mas ganhou novo fôlego nessa semana, com a denúncia de que um detetive que trabalhava para o jornal teria grampeado o telefone celular de Milly Dowler, uma menina de 13 anos que desapareceu em 2002 e depois foi encontrada morta.

Também vieram à tona alegações de que o tabloide dominical teria feito pagamentos à polícia britânica em troca de informações. Os proprietários do tabloide entregaram à polícia e-mails que indicariam que o pagamento teria sido autorizado pelo então editor do jornal, Andy Coulson.

Coulson renunciou ao comando do "News of The World" em 2007, após um de seus repórteres e um detetive terem sido condenados por grampear telefones de integrantes da família real britânica. No início deste ano, ele renunciou ao cargo de porta-voz do primeiro-ministro britânico, David Cameron, após terem surgido novas denúncias envolvendo jornalistas do "News of The World" e outras tentativas de invadir os telefones de políticos e celebridades.

O "News of The World", que é o jornal mais vendido aos domingos na Grã-Bretanha, com uma circulação média de quase 2,8 milhões de exemplares, integra a News Corp., um dos maiores conglomerados mundiais de mídia.

Os negócios do grupo envolvem TV, cinema, jornais e publicidade. A News Corporation é dona dos jornais britânicos "The Sun" e "The Times", do americano "The Wall Street Journal" e da rede de TV americana Fox.

O escândalo vem gerando pressões pela demissão de Rebekah Brooks, que foi editora do "News of the World" quando teriam sido feitas as gravações do celular de Milly Dowler. Hoje, ela é executiva-chefe da News International, divisão responsável pelos jornais britânicos da News Corp.

Alguns políticos pediram o boicote ao "News of The World" e a montadora Ford anunciou que deixará de anunciar no jornal até a conclusão das investigações a respeito das alegações de grampo telefônico.

Com BBC

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