Tabaré Vázquez deixa legado de crescimento econômico no Uruguai

O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, passará o governo para seu sucessor no dia 1º de março de 2010 e deixará uma herança que é elogiada por seus seguidores e aprovada, com ressalvas, por seus opositores, segundo analistas e parlamentares da situação e da oposição ouvidos pela BBC Brasil. A gestão de Tabaré tem cerca de 80% de apoio popular.

BBC Brasil |

É histórica", disse à BBC Brasil o analista político Eduardo Bottinelli, do instituto de pesquisas Factum, de Montevidéu. "O que também contribuiu para esse dado é que ele não se meteu na campanha eleitoral. Com isso, a oposição se sentiu menos complexada para aprovar sua gestão."
O professor de ciências políticas Miguel Serna, da Universidade da República, afirma que Vázquez assumu "um país que vinha de uma crise" e, ao encerrar seu governo, "deixa uma casa muito mais arrumada".

Segundo dados oficiais, durante os quase cinco anos do governo de Tabaré Vázquez, que assumiu a Presidência em 2005, o Produto Interno Bruto (PIB) do Uruguai cresceu mais de 30%, a pobreza passou de 31,9% para cerca de 20%, e o desemprego caiu de 13,1% para 7%.

A expansão econômica incluiu crescimento recorde das exportações agropecuárias e o incremento, inédito, da produção industrial.

Bases
Durante o governo Vázquez foram aprovadas no Congresso Nacional medidas como a autorização para casamento de pessoas do mesmo sexo e para que casais gays adotem bebês, além de medidas como a distribuição de um laptop para cada um dos 369 mil alunos do ensino fundamental.

"O governo de Tabaré estabeleceu as bases do crescimento econômico com distribuição de riqueza. Os sistemas público e privado de saúde foram integrados para que todos sejam atendidos da mesma forma. A reforma tributária permitiu que os que mais ganham paguem imposto de renda, o que não existia", disse à BBC Brasil o deputado governista Luis Gallo, da coalizão Frente Ampla.

"Muito foi feito. Mas precisamos ampliar as medidas implementadas."
Assessores diretos de Tabaré Vázquez disseram que foi "dada a largada para um país melhor", mas que faltam ações para evitar, por exemplo, o "abandono" escolar no segundo grau. País com 3 milhões de habitantes, Uruguai tem, historicamente, taxa de analfabetismo quase zero.

O presidenciável da oposição, o ex-presidente e senador Luis Alberto Lacalle, do Partido Nacional (Blanco), já elogiou Tabaré Vázquez em várias entrevistas. E alfinetou seu adversário na disputa deste segundo turno, o ex-guerrilheiro e ex-ministro de Agropecuária José 'Pepe' Mujica.

"Tabaré é muito melhor do que o candidato do governo. Ele é de um socialismo europeu, sabe ouvir, sabe negociar. Mujica não é assim", disse Lacalle.

Brasil
O ex-ministro das Relações Exteriores e senador opositor Sergio Abreu, do mesmo partido que Lacalle, disse que apesar da expansão da economia, impulsionada pelos preços internacionais das commodities e pela demanda internacional, a herança econômica de Vázquez não é perfeita.

"Aumentou o gasto primário, o tipo de câmbio está deprimido, provocando distorções dos preços, e o déficit fiscal é muito maior do que o governo tinha previsto", disse.

Segundo Abreu, a política externa também esteve "limitada". "A administração Vázquez não definiu uma estratégia clara e ficou limitada às imposições argentinas e à indiferença brasileira."
Tanto Lacalle quanto Abreu afirmam que, apesar da existência do Mercosul, que tem apoio de Vázquez, nada foi feito para solucionar o conflito entre Argentina e Uruguai, que levou argentinos a bloquearem o trânsito na principal ponte que liga os dois países, sobre o rio Uruguai.

"Quando o Uruguai precisou, o Mercosul não atuou", disse Lacalle. O trânsito na ponte está bloqueado por protestos desde 2006.

Para o candidato, porém, a insegurança pública é "o pior problema" do Uruguai hoje. "Esse problema precisa ser enfrentado com seriedade", disse Lacalle.

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