Suu Kyi, símbolo de esperança democrática e ameaça à junta militar de Mianmar

Aung San Suu Kyi, líder da oposição em Mianmar, condenada nesta terça-feira a mais 18 meses de prisão domiciliar, é reconhecida internacionalmente pela luta incansavel, há mais de vinte anos, pela democracia em seu país.

AFP |

Única vencedora do Prêmio Nobel da Paz a estar privada de liberdade, é muitas vezes comparada a Nelson Mandela, que passou 27 anos em prisões sul-africanas antes de ser capaz de desempenhar um pleno papel político.

Suu Kyi sempre reiterou sua inocência, não deixando de clamar sua inocência e denunciar o caráter parcial das acusações atribuídas a ela pelo governo birmanês.

Em seu novo julgamento, iniciado em maio, ela foi indiciada pela estranha invasão de sua casa por um mórmon americano, John Yettaw, que teria chegado a nado à residência e permaneceu dois dias no local, segundo as autoridades.

Desde julho, apesar dos pedidos da ONU, a junta militar que controla o país se recusa a se reunir com secretário-geral Ban Ki-moon, que visitou especialmente para Mianmar isso.

Em 19 de junho, ela passou seu 64o aniversário na prisão de Insein, ao norte de Rangum, onde o julgamento ocorreu a portas fechadas.

Suu Kyi, filha do herói da independência do país, o general Aung San, que foi assassinado, continua a ser uma poderosa ameaça à ditadura militar.

"É um ícone que inspira as pessoas", sempre sujeitas ao reino do medo, diz Sunai Phasuk, da Human Rights Watch.

Os críticos argumentam que, se forem realizadas eleições livres e justas sob supervisão internacional, em 2010, Suu Kyi e seu partido, a Liga Nacional para a Democracia (LND), podem conseguir uma derrota dos militares comparável à sofrida nas legislativas de 1990.

Na época, a LND conquistou 392 das 485 cadeiras em disputa. Após a vitória esmagadora, Suu Kyi foi posta em prisão domiciliar pela junta militar.

Nascida em 19 de junho de 1945, Aung San Suu Kyi iniciou seus estudos em Rangum e os continuou na Índia, onde sua mãe foi nomeada embaixadora em 1960. Depois fez Oxford.

Assistente da Escola de Estudos Orientais em Londres, ela se casou em 1972 com o acadêmico britânico Michael Aris, com quem teve dois filhos.

Retornou à Mianmar em abril de 1988. Sua volta ao país coincidiu com o início de uma revolta popular contra a repressão política e pelo declínio econômico.

Em 1995, o regime militar levantou a pena de prisão domiciliar imposta a Prêmio Nobel como sinal de abertura democrática dirigido à comunidade internacional. Contudo, sua liberdade durou pouco. Dos últimos 19 anos, ela passou 13 em prisão domiciliar.

bur-ras/fb

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