Suu Kyi se diz inocente por invasão de americano em sua casa

Por Aung Hla Tun YANGON (Reuters) - A líder oposicionista birmanesa Aung San Suu Kyi declarou-se na sexta-feira inocente das acusações de ter permitido a entrada de um norte-americano em sua casa, violando a prisão domiciliar a que está submetida.

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Conforme já era esperado, Suu Kyi e duas assessoras que vivem com ela, além do suposto invasor norte-americano, foram formalmente levadas a julgamento pelo incidente, após cinco dias de audiências.

Ela pode ser condenada a até cinco anos de prisão, se a Justiça entender que permitiu a permanência do norte-americano John Yettaw em sua casa durante dois dias, no começo de maio. Ele teria invadido a nado a residência, que fica à beira de um lago e é vigiada por militares.

"A sra. é culpada?", perguntou o juiz U Thaung Nyunt, no tribunal que funciona dentro da prisão de Insein. "Não, porque não cometi nenhum crime", respondeu ela calmamente, segundo seu advogado Nyan Win.

Ele disse que o julgamento deve levar duas semanas e que está confiante na absolvição, "desde que tudo corra dentro da lei".

Observadores têm sérias dúvidas a respeito, já que o regime militar birmanês mantém mais de 2.000 presos políticos. "Já que (os militares) cruzaram esse limite específico, é difícil imaginar que eles irão recuar devido à opinião internacional", disse Sean Turnell, professor de economia e especialista em MIanmar na Universidade Macquarie, da Austrália.

O incidente ocorre a poucos dias do final do prazo da sua prisão domiciliar, e críticos dizem que os militares promoveram uma manobra para mantê-la afastada das eleições de 2010, sobre cuja legitimidade o Ocidente lança sérias dúvidas.

Nos primeiros comentários oficiais do regime sobre o caso, o chanceler Nyan Win (homônimo do advogado de Suu Kyi) sugeriu que o incidente na casa da Nobel da Paz foi parte de um plano elaborado por "elementos antigoverno" e "provavelmente alardeado para intensificar a pressão internacional sobre Mianmar", segundo a imprensa estatal.

Os Estados Unidos renovaram suas sanções ao regime no mês passado, e a União Europeia ameaçou tomar medidas mais duras. Na sexta-feira, o Conselho de Segurança da ONU manifestou preocupação com o impacto político dos fatos judiciais relacionados a Suu Kyi.

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