A opositora birmanesa Aung San Suu Kyi proclamou inocência nesta sexta-feira ante o tribunal que a julga por violação das condições de detenção domiciliar, informou um porta-voz do partido da Prêmio Nobel da Paz.

"Não sou culpada, uma vez que não cometi nenhum crime", declarou Suu Kyi, contou à imprensa o porta-voz e advogado Nyan Win.

Suu Kyi, de 63 anos, enfrenta uma condenação de até cinco anos de prisão se for considerada culpada de ter violado a detenção domiciliar ao receber em casa, no começo de maio, o americano John Yettaw que, para chegar à residência, atravessou a nado o lago em torno.

Ela está sendo julgada a portas fechadas na prisão de Insein, ao norte de Yangun.

A dirigente da Liga Nacional para a Democracia (LND), que esteve presa ou em detenção domiciliar em 13 dos últimos 19 anos, clamou inocência, num momento em que as duas últimas testemunhas de acusação das 23 arroladas (um policial e um funcionário dos serviços de Imigração) compareciam nesta sexta-feira à Corte.

Quase todas as testemunhas de acusação ouvidas até agora são policiais.

A banca de defesa de Suu Kyi chamou John Yettaw "de aventureiro" e "de imbecil". Um advogado, Kyi Win, havia afirmado que Suu Kyi "teria se compadecido deste homem porque tinha cãibras nas pernas, depois de cruzar o lago" a nado.

Nesta sexta-feira, o jornal New Light of Myanmar, controlado por generais, informou que o ministro birmanês de Relações Exteriores, Nyan Win, havia detalhado a posição de seu país sobre o assunto durante uma conversa por telefone com o colega japonês, Hirofumi Nakasone.

O chanceler chegou a afirmar que o incidente havia sido provocado pela oposição, não pelo governo, num momento em que a Birmânia "tenta melhorar suas relações com o mundo, incluindo Estados Unidos, Japão e as nações europeias".

O ministro considerou "provável que este incidente tenha sido elaborado de maneira oportuna por elementos antigovernamentais internos e externos para incrementar a pressão internacional sobre Mianmar", indicou o diário oficial do regime.

Quando o poder birmanês se refere a "elementos antigovernamentais internos e externos", refere-se, em geral à LND e a grupos de opositores no exílio.

Segundo um diplomata ocidental, estas acusações refletem "certo desconcerto" por parte da junta, que parece "andar às cegas" depois da indignação internacional suscitada pelo julgamento de Suu Kyi, cuja detenção domiciliar expiraria no dia 27 de maio.

Em Hong Kong, o cônsul geral de Mianamr, Ye Myint Aung, publicou carta no site do Consulado, com muitas insinuações. "Alguns de nossos amigos fazem indagações sobre um americano que cruzou o lago Inya e visitou secretamente Aung Sang Suu Kyi", escreveu.

"A pergunta é: por que nadou até ela e do que falaram. Francamente, não sabemos em absoluto se se trata de um agente secreto ou de seu namorado".

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