Suspensão de vistos pelos EUA não abala Governo de Honduras

Tegucigalpa, 12 set (EFE).- O presidente de fato de Honduras, Roberto Micheletti, respondeu hoje aos Estados Unidos (EUA) que embora tenha perdido o visto de ingresso naquele país mantém sua posição de não permitir o retorno ao poder do deposto Manuel Zelaya.

EFE |

"Não vamos dar um passo atrás. Nós hondurenhos temos dignidade.

Respeito à decisão do Governo americano de suspender o visto", ressaltou Micheletti ao confirmar que Washington vetou seu ingresso aos Estados Unidos.

Os EUA também suspenderam o visto do chanceler Carlos López, de 14 magistrados da Corte Suprema de Justiça e de vários empresários, segundo indicou a jornalistas a deputada Marcia Villeda, colaboradora de Micheletti.

Villeda manifestou que ela também foi notificada na sexta-feira, pelo Consulado dos Estados Unidos em Tegucigalpa, sobre a suspensão do seu visto.

Segundo versões extra-oficiais divulgadas na imprensa, os Estados Unidos teriam incluído entre os que tiveram os vistos cancelados a vice-chanceler hondurenha, Martha Lorena Alvarado, que disse à Agência Efe: "até agora não fui notificada de nada".

Depois do golpe de Estado contra Zelaya, os EUA revogaram os vistos do presidente do Parlamento, José Alfredo Saavedra, do ministro da Defesa, Adolfo Sevilla, do comissário dos Direitos Humanos, Ramón Custódio, e do magistrado do Poder Judiciário Tomás Arita.

Micheletti, que foi alçado a presidente pelo Parlamento no mesmo dia em que Zelaya foi deposto, considera que os Estados Unidos "não compreenderam sob nenhuma circunstância que os hondurenhos não querem o retorno das posições políticas anteriores, as quais Zelaya e o grupo de dele haviam nos colocado".

Ao grupo que Micheletti se refere, somam-se "Hugo Chávez (presidente da Venezuela), que também é o chefe político deste senhor (Zelaya)", cotou Micheletti.

O cancelamento do visto "faz parte da pressão que os Estados Unidos estão exercendo contra o nosso país", disse o governante interino, além de ter reiterado que não está preocupado com as decisões de Washington.

"Nós estamos tranquilos, nem um pouco preocupados, sabíamos que isto aconteceria, que está montada uma campanha nos Estados Unidos contra o nosso país e aceitamos a tudo com dignidade, sem o menor rancor contra os Estados Unidos", enfatizou.

Para a deputada Marcia Villeda, a decisão de Washington "não é de transcendência, nem de muita importância", disse.

O dirigente popular e do sindicato dos professores, Sergio Rivera, disse à Agência Efe que com a decisão dos Estados Unidos "o Governo golpista segue rumo ao fim".

"Para eles, isso é doloroso porque gozam de muitos privilégios nos Estados Unidos, onde têm contas bancárias e propriedades", ressaltou Rivera.

Na opinião dele, os EUA devem incluir na lista de cancelamento de vistos reconhecidos empresários e jornalistas que também apoiaram o golpe de Estado.

O movimento de resistência popular que exige à restituição de Zelaya lembrou hoje os 77 dias de sua derrocada com uma jornada cultural na Praça Cuba, no extremo oriental de Tegucigalpa, onde ocorreram centenas de manifestações, algumas delas com a participação de crianças.

O protesto iniciou com a apresentação da obra "O generalito", do chileno Jorge Díaz, escrita durante a ditadura de Augusto Pinochet no Chile.

O diretor da obra, Tito Ochoa, com 30 anos de experiência em teatro, indicou à Efe que com o golpe de Estado "ressurgiram as atividades teatrais e musicais, exigindo o retorno da ordem constitucional".

Acrescentou que a maioria dos artistas conscientes é contra o golpe de Estado e que o teatro, no caso, sempre esteve a favor das causas populares e hoje não agora não poderia ser diferente.

"O generalito" trata de um militar que tenta dominar seu povo fazendo com que todas as pessoas marchem de joelhos e se vistam de preto, lembrou Ochoa. EFE gr/dm

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