Suspensão de atividade de usina deixa um terço de Gaza sem eletricidade e pão

Saud Abu Ramadán Gaza, 11 mai (EFE).- Mais de um terço da população de Gaza está sem luz e pão, pois a principal usina elétrica da Faixa suspendeu suas atividades por falta de combustível industrial, causada pelo bloqueio israelense.

EFE |

A única usina de Gaza, que fornece eletricidade a mais de meio milhão de habitantes do norte e do centro de Gaza, permanece inativa pelo segundo dia consecutivo.

Na tarde do último sábado as turbinas da central tiveram que suspender suas atividades pela falta de combustível por causa do petróleo que entra a partir do território israelense.

"Israel não permitiu a entrada do combustível apesar de ter prometido que seria retomada neste domingo", declarou à imprensa Kanan Obeid, representante da Autoridade de Energia em Gaza.

O chefe do departamento de relações públicas da usina, Jamal Al Derdisawi, afirmou que Gaza sofre uma crise de eletricidade e acrescentou que, quando a usina fechou, "a escassez de energia atingia 35% da população".

A última carga de combustível derivado do petróleo chegou na quarta-feira passada, quando as autoridades israelenses isolaram a Cisjordânia e Gaza pelos atos em comemoração do aniversário de 60 anos da fundação do Estado de Israel.

Naquela oportunidade foi proibida a entrada ou a saída de pessoas e produtos dos territórios ocupados até o anoitecer de ontem.

A passagem fronteiriça de Nahal Oz, por onde entrava regularmente o combustível através da Faixa, permaneceu fechada durante sábado e hoje (domingo).

Hoje, juntou-se a esta situação o anúncio feito por um grupo de padeiros da Cidade de Gaza à imprensa. Segundo eles, a falta de eletricidade os levou a paralisar suas atividades.

Israel, que mantém um ferrenho bloqueio à Gaza desde que o Hamas tomasse o controle deste território em junho de 2007 por meio das armas, reforçou o cerco pelos constantes ataques com foguetes e bombas a partir de Gaza contra seu território.

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, que hoje apontou mais uma vez o Hamas como "completamente responsável" pela situação vivida por Gaza, prometeu tomar "duras medidas" para impedir que as milícias continuem atacando Israel.

O chefe do Executivo, que em setembro de 2007 declarou a Faixa uma "entidade inimiga", fez estas advertências na reunião semanal do Conselho de Ministros realizada em Jerusalém, dois dias após um cidadão israelense morrer após ser atingido por uma bomba em uma cooperativa rural na divisa com Gaza.

"Caso não haja calma, Israel tomará duras ações que levarão à calma", declarou Olmert no início da reunião.

O primeiro-ministro israelense recepcionará amanhã o chefe da inteligência egípcia, Omar Suleiman, quando é esperada uma proposta de trégua negociada pelo Cairo com o Hamas.

Após a última rodada de diálogos realizada no Egito no mês passado, o grupo islâmico ofereceu um cessar-fogo de seis meses em Gaza caso Israel retirasse o bloqueio mantido a este território palestino.

Enquanto os porta-vozes de Olmert tentavam diminuir as expectativas sobre a possibilidade de conseguir um acordo, o vice-ministro da Defesa israelense, Matan Vilnai, mostrou certa flexibilidade.

"Omar Suleiman virá, o escutaremos, conversaremos com ele e veremos o que oferece. Assim, a partir desta base tomaremos decisões", declarou Vilnai à rádio pública israelense.

Enquanto isto, um porta-voz do Hamas em Gaza, Aiman Taha, declarou à Agência Efe que "Israel deve aceitar a proposta de trégua que o Egito fizer. Caso não a aceite estamos preparados para qualquer opção, mas, se quiser trégua, teremos uma trégua".

Também disse que as medidas adotadas por Israel nos territórios palestinos são "um castigo coletivo, principalmente em Gaza, onde o povo há 11 meses sofre um bloqueio severo". EFE db/bm/fal

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