O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, disse que seu governo contactou a Organização dos Estados Americanos (OEA) para negociar com a entidade, um dia após Honduras ter sido suspensa da organização. Nossa intenção é harmonizar com os demais países, não podemos permanecer isolados permanente.

Por exemplo, a América Central já abriu as fronteiras comerciais, que estiveram fechadas. Reiniciamos uma relação, ao menos comercial, com os países da América Central", afirmou Micheletti, durante uma entrevista coletiva, realizada neste domingo, no Palácio Presidencial hondurenho.

Em um comunicado enviado à OEA, redigido pelo presidente da Suprema Corte hondurenha, Jorge Rivera Avilez, o governo interino de Honduras propôs a criação de uma delegação para hondurenha para "conduzir negociações de boa fé" com representantes da entidade.

No sábado, os 33 países que constituem a entidade decidiram por unanimidade suspender o país da organização, após ter fracassado a missão diplomática em Honduras do secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, que esteve reunido com autoridades hondurenhas na sexta-feira.

A decisão da entidade se deu por conta da deposição do presidente Manuel Zelaya, que ocorreu no domingo passado, quando um grupo de militares invadiu o Palácio Presidencial, obrigando o líder hondurenho a embarcar em um voo para a Costa Rica.

Nicarágua
Ao mesmo tempo em que adotou um tom contemporizador em relação à OEA, o governo interino hondurenho acusou a vizinha Nicarágua â¿ cujo líder, Daniel Ortega é um forte aliado de Zelaya â¿ de haver mobilizado tropas para a fronteira entre as duas nações.

"Quero respeitosamente pedir ao governo da Nicarágua, aos irmãos nicaraguenses, que não se atrevam a cruzar nossa fronteira, porque estamos dispostos a defendê-la", disse o líder interino.

O líder interino disse não ter relatos de que as forças nicaraguenses estivessem tentando cruzar a fronteira hondurenha ilegalmente, mas disse que a Nicarágua promove "uma invasão psicológica".

"Estão tentando, por todos os meios, intimidar a população, especialmente os moradores da fronteira."
A Nicarágua negou ter deslocado soldados para a fronteira entre os dois países. E o próprio Micheletti, apesar de acusar a nação vizinha, pareceu recuar em suas afirmações ao longo da entrevista deste domingo.

De acordo com o presidente interino, a suposta ação militar teria sido lançada por "pequenos grupos de tropas, possivelmente sem mesmo a autorização de seus comandantes".

Sem autorização
O presidente também comentou a negativa do governo provisório em autorizar que o avião que transportava o líder deposto Manuel Zelaya pousasse em território hondurenho.

Zelaya pretendia retornar a Honduras neste domingo, após o vencimento do prazo de 72 horas, dado pela OEA, para que ele fosse reconduzido ao cargo.

"Nós insistimos que não queremos conflitos internos. Aqui não se derramou uma gota de sangue e isso (o retorno de Zelaya) poderia ter essa consequência."
O aeroporto Toncontin, da capital hondurenha Tegucigalpa, foi cercado por centenas de soldados e policiais, a fim de conter os milhares de manifestantes pró-Zelaya que foram até o local esperar pelo voo que traria o presidente deposto de volta ao país.

Os soldados leais ao governo interino dispararam gás lacrimogêneo contra a multidão;
No sábado, uma gigantesca manifestação com milhares de manifestantes favoráveis ao líder deposto partiu do centro da cidade e se concentrou nas imediações do aeroporto.

Um funcionário do governo de Honduras que pediu para não ser identificado disse que Manuel Zelaya contactou o governo interino, com vistas a possíveis negociações.

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