Suspeitos de planejar ataques em NY irão a tribunal

Por Edith Honan NOVA YORK (Reuters) - O prefeito e o chefe de polícia de Nova York procuraram acalmar fiéis judeus na quinta-feira, na manhã depois de as autoridades terem anunciado que frustraram uma conspiração para explodir duas sinagogas e simultaneamente derrubar aviões militares.

Reuters |

Quatro homens presos por envolvimento na suposta conspiração deveriam comparecer a um tribunal nesta quinta-feira em White Plains, Nova York. O comissário de polícia Raymond Kelly disse que os quatro têm fichas criminais e não parecem fazer parte da Al Qaeda.

Quando conversaram com fiéis em uma das sinagogas visadas, na manhã da quinta, Kelly e o prefeito Michael Bloomberg transmitiram calma após a ameaça mais recente à cidade de Nova York, que desde 11 de setembro de 2001 vive em alerta, temendo outro ataque.

O FBI e a polícia de Nova York prenderam os quatro muçulmanos na noite de quarta-feira, depois de eles plantarem o que imaginavam ser explosivos em dois carros, um estacionado diante de cada sinagoga, e planejarem ir a uma base aérea com o que pensavam ser um míssil terra-ar "stinger" ativado.

Mas os explosivos eram inofensivos e o míssil tinha sido desativado, já que os quatro suspeitos tinham sido infiltrados por um informante do FBI que lhes forneceu as armas falsas.

"Eles afirmaram que queriam cometer jihad", disse Kelly a jornalistas, usando um termo que pode significar guerra santa. "Estavam perturbados com o que vem acontecendo no Afeganistão e Paquistão, com as mortes de muçulmanos. Declararam que, se judeus fossem mortos nesse ataque, isso estaria bem."

Os fiéis do Centro Judaico Riverdale, uma sinagoga ortodoxa na qual foi feita uma cerimônia matinal, ficaram chocados.

"É inacreditável que isso ocorra aqui nesta comunidade", disse Rose Spindler, que afirmou ser sobrevivente do Holocausto. "Deveriam nos deixar viver. Como podem vir aqui e fazer isso a pessoas inocentes? Tivemos muita sorte."

David Winter, diretor-executivo da sinagoga, disse que a possibilidade de um ataque "sempre está presente na nossa mente".

O outro alvo, o Templo Riverdale, é uma sinagoga reformista.

Os suspeitos vão ser levados ao tribunal no dia em que o presidente Barack Obama fala sobre segurança nacional e apresenta sua estratégia para o fechamento da prisão de Guantánamo, onde estão detidos suspeitos de terrorismo.

De acordo com Kelly, nenhum dos quatro suspeitos tem qualquer vínculo conhecido com a Al Qaeda. Um deles é de origem haitiana, e os outros três são norte-americanos de nascimento.

"O incidente põe em destaque nossa preocupação com o terrorismo nacional, que sob muitos aspectos é o mais difícil de enfrentar", disse o comissário de polícia.

As duas sinagogas ficam numa área rica do Bronx, logo ao norte de Manhattan e próximas de uma rodovia que conduz à base da Guarda Aérea Nacional de Nova York, no aeroporto de Stewart, em Newburgh, onde, segundo as autoridades, os homens planejavam abater aviões com mísseis guiados terra-ar.

Os suspeitos foram identificados como James Cromitie, David Williams, Onta Williams e Laguerre Payen. Kelly disse que Cromitie, 53 anos, é o líder do grupo. Dois dos outros têm 29 e 33 anos. Segundo Kelly, eles podem ter se convertido a uma visão radical do islã enquanto estavam na prisão.

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