Suspeitos de assassinar líder supremacista sul-africano são indiciados

Um tribunal sul-africano indiciou nesta terça-feira os dois suspeitos, um de 15 e o outro de 28 anos, pelo assassinato do líder de ultradireita branca Eugene Terreblanche, de 69 anos, informou a promotoria.

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Os dois acusados deixaram o tribunal em uma patrulha sob as aclamações de dezenas de sul-africanos negros. Os militantes da ultradireita branca, que haviam se reunido pela manhã nas imediações do tribunal, deixaram o local um pouco antes do anúncio.

AP
Terreblanche, em 2005
Terreblanche, em 2005
O assassinato no sábado de Terreblanche, que dedicou a vida à defesa da supremacia dos brancos, provocou a fúria de seu Movimento de Resistência Afrikânder (AWB), que inicialmente chegou até a anunciar que vingaria sua morte . Após apelos por calma, o partido retirou a ameaça na segunda-feira.

Terreblanche dedicou a vida a defender a superioridade dos brancos e, à frente de milícias paramilitares usando um emblema parecido com a suástica nazista, foi contrário ao fim do regime de segregação racial do apartheid. Ele foi preso em 2001 pela tentativa de assassinato de um guarda negro e deixou a penitenciária em 2004 por bom comportamento. Depois disso caiu em relativo esquecimento. O corpo do extremista foi encontrado no sábado em sua fazenda de Ventersdorp, na Província do Noroeste.

A polícia prendeu os dois suspeitos, que trabalhavam como empregados da fazenda do líder ultradireitista e teriam discutido com ele pela falta de pagamento dos salários. Os dois acusam o chefe de ter se recusado a pagar o salário mensal de 300 rands (40 dólares, 70 reais) e de tê-los agredido física e verbalmente.

Apesar da motivação não parecer política, o AWB vinculou o assassinato de seu líder à recente polêmica sobre uma canção que pede a "morte dos boers" (fazendeiros brancos). A música se tornou famosa entre o movimento jovem do Congresso Nacional Africano (ANC), o partido que governa o país.

Dois tribunais proibiram a canção que, segundo a oposição e várias associações, estimula a violência racial. Mas o ANC defendeu a música em nome da memória da luta contra o apartheid.

Tensão racial

O assassinato reavivou as tensões raciais em um país onde a cor da pele continua sendo um fator de divisão, 16 anos depois do fim oficial do regime do apartheid.

Consciente do que o caso poderia provocar, o presidente Jacob Zuma pediu calma, conclamando "os sul-africanos a não permitir que os agentes provocadores se aproveitem da situação para incitar, ou para alimentar, o ódio racial". Zuma também fez um apelo à "unidade" política e à "responsabilidade" dos dirigentes políticos do país em suas declarações.

AFP
Sul-africanos gritam

Sul-africanos gritam "heróis, heróis" em relação aos dois indiciados


Pedidos semelhantes foram feitos pelo ministro da Polícia, Nathi Mthethwa, e pelo comissário nacional, Bheki Cele, que receberam no domingo familiares da vítima, segundo a agência de notícias SAPA.

Enquanto isso, o ANC, no poder informou, por sua vez, que nada pode justificar o homicídio de Terreblanche. "Lançamos um apelo a todos os sul-africanos para que se abstenham de qualquer especulação, os autores (do crime) se entregaram às autoridades a cargo de aplicar a lei", informou o ANC em um comunicado.

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