Suspeito planejava realizar novo ataque na França nesta quarta-feira

Governo francês diz que atirador estava pronto para atacar mais um militar quando polícia o cercou em prédio de Toulouse

iG São Paulo |

O suspeito do ataque a uma escola judaica de Toulouse e de dois atentados contra militares planejava realizar uma nova ação nesta quarta-feira, afirmou o procurador francês François Molins. De acordo com ele, Mohamed Merah estava pronto para atacar mais um soldado, o que motivou a polícia a cercá-lo em seu apartamento durante a madrugada.

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O suspeito, que continua cercado em Toulouse, foi ao Afeganistão duas vezes e recebeu treinamento na região do Waziristão do Sul, um dos redutos da Al-Qaeda, rede terrorista à qual disse pertencer.

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Dois policiais também estavam na lista de vítimas de Merah. De acordo com Mollins, o suspeito afirmou ter agido sozinho e lamentou as mortes, mas disse que queria matar mais pessoas para "deixar a França de joelhos".

Segundo o ministro francês do Interior, Claude Guéant, o suspeito disse que os ataques foram realizados para “vingar crianças palestinas mortas no Oriente Médio” e punir a França pelos "crimes" cometidos no Afeganistão.

Gueant afirmou que o suspeito jogou pela janela a arma supostamente usada nos três ataques em troca de um “aparelho de comunicação” para negociar sua rendição, que aconteceria ainda nesta quarta-feira. Ele tem outras armas, incluindo uma metralhadora AK-47.

“Nossa principal preocupação é prendê-lo, e prendê-lo em condições nas quais ele possa ser apresentado à Justiça”, afirmou o ministro. “Capturá-lo com vida é crucial.”

A polícia chegou a entrar no local, mas saiu após uma troca de tiros que feriu três policiais. Segundo Gueant, o suspeito disse que irá se entregar ainda nesta quarta-feira. O ministro acrescentou que o jovem é monitorado há "vários anos" pela França, por suas "visões fundamentalistas".

O irmão do Merah, detido na manhã desta quarta-feira para interrogatório, estaria envolvido em um grupo militante que envia combatentes para o Iraque. Autoridades disseram que explosivos foram encontrados em um dos carros dele. Também foram detidas a companheira do irmão e a mãe dos dois homens.

Promotores disseram que outras operações estão em andamento para procurar possíveis cúmplices. Logo após os ataques da segunda-feira, uma grande operação de buscas, envolvendo todas as forças policiais do país, foi estabelecida, diante do temor de que o assassino poderia atacar novamente.

Enterro

As quatro vítimas do ataque a tiros contra a escola foram enterradas nesta quarta-feira em um cemitério de Jerusalém, em Israel. Parentes acompanharam chorando o enterro do rabino Jonathan Sandler, 30 anos, seus filhos Arieh, 5 anos, e Gabriel, 3 anos, e de outra criança, Myriam Monsenego, 8 anos.

AP
Eva Sandler, mulher de rabino e duas crianças mortas em ataque à escola na França, chora durante funeral em Jerusalém

Durante o enterro, a mulher do rabino, Eva Sandler, se despediu do marido e dos dois filhos dizendo “voltem para casa” em francês. A imprensa israelense disse que Eva está grávida e viajou da França para Israel com o filho mais novo do casal.

As famílias das vítimas pediram para que elas fossem enterradas em Jerusalém. As crianças tinham dupla cidadania (francesa e israelense) e o rabino tinha vivido em Israel durante anos.

No funeral, o irmão mais velho de Myriam, Avishai, 20 anos, pediu que Deus dê força a seus pais. Em seu nome e dos outros três irmãos, ele pediu que o pai e a mãe “sigam em frente”.

Com AP e BBC

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