Suspeito não agiu sozinho, diz ministro paquistanês

Segundo ministro, é "improvável" que Faisal Shahzad tenha planejado sozinho o atentado frustrado com o carro-bomba na Times Square

Reuters |

O Ministro do Interior do Paquistão, Rehman Malik, disse nesta quinta-feira que acha improvável que Faisal Shahzad, de 30 anos, um cidadão paquistanês naturalizado norte-americano preso por uma tentativa fracassada de detonar uma bomba na Times Square, em Nova York, tenha agido sozinho.

Shahzad foi preso na noite de segunda-feira depois de ser retirado de um avião da empresa Emirates no aeroporto internacional John F. Kennedy, em Nova York, que estava prestes a decolar para Dubai. Ele pretendia retornar ao Paquistão.

© AP
Faisal Shahzad, em foto publicada no Orkut
"De acordo com as informações disponíveis, ele diz que agiu sozinho. Eu tenderia a não acreditar nisso", disse Malik em entrevista concedida durante uma visita à capital chinesa. "Precisamos saber se ele foi incriminado, se foi usado por alguém... Ele faz parte de uma quadrilha de terroristas? Precisamos saber as respostas a todas essas perguntas", disse.

Malik disse que o Paquistão ainda não recebeu um pedido formal de ajuda dos Estados Unidos, mas que está preparado a dar a esse país "toda a ajuda possível, apoio total" para levar os culpados à Justiça.

As autoridades de segurança do Paquistão começaram a investigar o suspeito, filho de um vice-marechal aposentado da força aérea paquistanesa, assim que seu nome foi divulgado, disse ele.

"Quando ouvimos pela mídia o nome de Faisal Shahzad, iniciamos nosso processo de identificação e identificamos a família inteira, as pessoas que têm contato com ela, suas contas bancárias, seus números de telefone, e, é claro, enquanto isso entramos em contato com o governo norte-americano", disse Malik.

Mas, indagado sobre um relato de que os EUA teriam pedido para interrogar os pais de Shahzad, Malik disse que quando deixou o Paquistão, na noite de quarta-feira, nenhum pedido nesse sentido tinha sido recebido.

Ele se negou a comentar possíveis vínculos entre Shahzad e grupos militantes do Paquistão antes de receber mais informações sobre o interrogatório ou detalhes das acusações feitas ao suspeito. "Vou poder dar nossa opinião apenas quando tivermos visto o relatório completo do interrogatório", disse ele, mas deu a entender que é provável que haja algum envolvimento militante. "Fazer uma bomba não é fácil, então isso significa que existe algo mais do que o que estamos vendo no momento", disse.

Promotores dos EUA disseram que Shahzad admitiu ter recebido treinamento na fabricação de bombas em um reduto do Taleban e da Al-Qaeda no Paquistão. Uma fonte policial disse que investigadores acreditam que o Taleban paquistanês tenha financiado esse treinamento.

Se for confirmado que o Taleban paquistanês patrocinou o frustrado atentado de sábado à noite em Nova York, como alegou o grupo horas depois do incidente, seria o seu primeiro ataque em território norte-americano.

Shahzad, que nasceu no Paquistão e se tornou cidadão americano no ano passado, foi acusado de tentativa de usar uma arma de destruição em massa e de tentativa de matar e mutilar pessoas nos Estados Unidos, além de outras acusações.

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