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Suspeito do 11/9 diz ter orgulho de ataques

Um homem acusado de ter participado dos ataques contra os EUA de 11 de setembro de 2001 disse se orgulhar dos atentados nesta segunda-feira, diante de uma corte militar americana na base de Guantánamo. O comentário foi feito por Ramzi Binalshibh durante uma audiência pré-julgamento para decidir se ele é mentalmente capaz de se defender sozinho diante de uma corte.

BBC Brasil |

"Nós fizemos o que fizemos e estamos orgulhosos disso. Estamos orgulhosos do 11 de setembro", disse Binalshibh em árabe, enquanto guardas retiravam suas algemas.

Na mesma audiência, o homem que é acusado de ser um dos mentores dos atentados, Khalid Sheikh Mohammed, afirmou que estava trabalhando "pela causa de Deus" e disse não ter medo da morte.

Os dois homens compareceram diante do tribunal junto com outros três acusados. Todos eles afirmaram não querer ser defendidos por advogados militares americanos em seus julgamentos.

Segundo o correspondente da BBC, Jonathan Beale, que estava no local, a audiência foi "caótica", com os réus interrompendo o juiz militar que presidia a corte em diversas ocasiões.

Antes, Khalid Sheikh Mohammed, que afirma ter sido torturado na base de Guantánamo, pediu a dispensa de todos os advogados americanos de seu julgamento.

"As pessoas que me torturaram recebem seus salários do governo dos EUA, assim como estes advogados", disse.

Ele ainda afirmou que ele e os outros réus não têm medo de receber a pena de morte porque estavam "fazendo a jihad pela causa de Deus".

Quando o juiz que presidia a audiência pediu que ele parasse de interromper os trabalhos, ele disse:
"Isto é terrorismo e não um tribunal. Vocês não nos dão a oportunidade de falar".

Tanto os advogados de defesa quanto os de acusação haviam pedido aos juízes militares que as audiências fossem adiadas para depois da posse do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, que acontece nesta terça-feira. A solicitação, no entanto, foi recusada.

Incertezas

As audiências de Guantánamo estão sendo feitas sob um clima de incertezas, já que se espera que Obama ordene o fechamento do campo de prisioneiros ainda nos primeiros dias de seu mandato.

No mês passado, o Pentágono retirou e arquivou as acusações de cerca de 20 casos de prisioneiros da base, afirmando que este seria um procedimento normal.

Isto, no entanto, aumentou ainda mais as incertezas a respeito dos julgamentos, segundo analistas.

Um cidadão canadense, Omar Kadhr, acusado de ter matado um soldado americano no Afeganistão em 2002, está sendo submetido a uma audiência separada. Ele tinha 15 anos na época do incidente.

Seus advogados solicitam que sejam retiradas do processo algumas declarações que teriam sido obtidas com métodos de tortura e coação.

Os militares, no entanto, alegam que elas foram resultado "de entrevistas não coercitivas".

O julgamento de Kadhr está marcado para o próximo dia 26 de janeiro, mas seu advogado, o oficial da Marinha Bill Kuebler, afirmou acreditar que os tribunais militares não irão continuar a partir do momento que Obama tomar posse.

"É simplesmente inimaginável que estes procedimentos continuem quando você tem um governo que diz claramente que irá tomar um caminho diferente em relação à Guantánamo", afirmou.

Desafio

Na semana passada, fontes próximas a Obama afirmaram que ele editará uma ordem executiva para fechar o centro de detenção de Guantánamo nos primeiros dias de seu mandato.

Mas o fechamento do Guantánamo, que atualmente abriga pelo menos 245 detentos, não deverá ser imediato e o próprio Obama afirmou que isto será um desafio.

Seu futuro secretário de Justiça, Eric Holder, afirmou durante sua sabatina no Senado que considera as técnicas de afogamento usadas no campo de prisioneiros como tortura.

A CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) admitiu ter usado a técnica de afogamento contra pelo menos três suspeitos, entre eles Khalid Sheikh Mohammed.

O governo de George W. Bush criou o campo em 2002 para aprisionar suspeitos de "terrorismo" capturados durante a Guerra do Afeganistão.

O campo já chegou a abrigar cerca de 750 suspeitos.

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