Suspeito de escutas pode ter assessorado ex-porta-voz de premiê britânico

Partido Conservador admite que ex-subchefe de tabloide pode ter auxiliado Andy Coulson antes da eleição de Cameron em 2010

iG São Paulo |

AP
Coulson, ex-porta-voz do premiê David Cameron, deixa delegacia em Londres. Ele foi interrogado por 9 horas por envolvimento no escândalo de grampos de tabloide (08/07)
O Partido Conservador britânico admitiu nesta terça-feira que o ex-diretor executivo do tabloide News of the World  Neil Wallis, detido em 14 de julho pelo escândalo das escutas ilegais , pode ter prestado "assessoria informal" ao ex-chefe de comunicação de David Cameron antes de sua eleição como primeiro-ministro , em 2010.

Neil Wallis, ex-subchefe de redação do News of the World, teria assessorado seu ex-chefe Andy Coulson, que dirigia então a equipe de comunicação do candidato Cameron.

Coulson, que começou a trabalhar com Cameron no número 10 da Downing Street (residência do primeiro-ministro), renunciou em janeiro e foi detido em 8 de julho como suspeito de escutas telefônicas em grande escala e de suborno de policiais. Depois de nove horas de depoimento, ele foi solto após pagamento de fiança. Seis dias depois, Wallis foi detido pelo caso das escutas.

"Chamou-nos a atenção o fato de que (Wallis) pode ter prestado assessoria informal a Coulson, voluntariamente, antes da eleição de maio de 2010", afirmou o Partido Conservador em comunicado. "Estamos investigando o teor exato dessa assessoria", completou.

Os "tories" (conservadores) insistiram que Wallis nunca foi empregado do partido. Dois chefes da Scotland Yard apresentaram nos últimos dias suas renúncias, depois de ser revelado que Wallis tinha trabalhado meio período como consultor policial depois de sair do News of the World.

O subcomissário da Polícia Metropolitana de Londres, John Yates , deixou o cargo na segunda-feira, enquanto o chefe da polícia metropolitana e o mais alto oficial policial da Grã-Bretanha, Paul Stephenson , renunciou no domingo.

Depoimentos

A revelação sobre a colaboração entre Wallis e Coulson surgiu num dia de importantes depoimentos perante o Parlamento britânico sobre o caso das escutas ilegais do News of the World, jornal que faz parte do império de mídia do australiano Rupert Murdoch, a News Corporation .

Ao lado de seu filho James Murdoch , presidente da News Corp na Europa e na Ásia, Murdoch afirmou que não é responsável pelo escândalo . Durante o depoimento, que durou cerca de três horas, um jovem invadiu a sala, avançou sobre o magnata e o atingiu com uma torta de espuma de barbear . "É o dia mais comovente da minha vida", afirmou o magnata no início do depoimento.

Questionado se era responsável pelo escândalo das escutas ilegais, Murdoch foi conciso: "Não." Após o membro do Parlamento insistir no assunto, o magnata sugeriu que tinha sido enganado no caso: "(São responsáveis) as pessoas em quem confiei, e as pessoas em quem elas por sua vez confiaram."

Posteriormente também prestou depoimento a ex-editora-chefe do News of the Word, Rebekah Brooks , que no domingo foi detida e solta sob fiança após prestar um depoimento de 12 horas sobre o caso. Na sexta-feira, ela havia renunciado ao cargo de editora-executiva da News International, a divisão britânico da News Corp.

Em seu depoimento, Rebekah negou ter tido conhecimento das escutas no celular da adolescente Milly Dowler até o caso estourar, há duas semanas. A revelação de que o jornal havia manipulado a caixa-postal do celular da menina, desaparecida em 2002, fazendo a polícia e a familia acreditar que ela ainda estava viva, foi o estopim do escândalo que resultou no fim do News of the World .

Ela disse ao comitê de parlamentares que, assim que soube do grampo no celular de Milly, escreveu para a polícia. Ela negou ter autorizado a escuta na época e ter pago policiais para obter informações enquanto foi editora do tabloide, entre 2000 e 2003.

Rebekah se disse arrependida e afirmou que caso com a família de Milly foi "repugnante". Ela reconheceu que o News of the World contratava detetives particulares, "como a maioria dos jornais" concorrentes. Negou, no entanto, ter conhecido Glen Mulcaire, um dos agentes envolvidos nas escutas, afirmando que o pagamento aos detetives era feito por meio de diversos departamentos do jornal.

Em seu depoimento, Rebekah tentou mostrar distanciamento do primeiro-ministro britânico, que chegou a empregar o seu sucessor no News of the World, Andy Coulson, como chefe de comunicação do governo. Ela negou ter sugerido o nome de Coulson como assessor de Cameron, afirmando que a indicação teria sido do ministro das Finanças George Osbourne, como já veiculado pela imprensa.

Rebekah disse nunca ter estado em Downing Street sob o governo conservador de Cameron, mas admitiu ter visitado o local com frequência durante as administrações dos trabalhistas Tony Blair e Gordon Brown.

A ex-executiva do News International também negou ter acompanhado Cameron, a quem chamou de "amigo" e "vizinho", em uma corrida de cavalos. Disse, também, não ter mantido nenhuma conversa "inapropriada" com o primeiro-ministro.

Assista ao vídeo com o ataque a Murdoch:

*Com AFP e BBC

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