Suspeito de corrupção, chanceler israelense admite renúncia

Jerusalém, 3 ago (EFE).- O ministro de Assuntos Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, anunciou hoje que renunciará se, conforme recomendado pela Polícia no último domingo, a Procuradoria-Geral do Estado o acusar de suborno e lavagem de dinheiro.

EFE |

A Polícia tem em seu poder inúmeras provas de que o chefe da diplomacia israelense, além de ter praticado fraudes, assediou testemunhas e tentou obstruir a Justiça.

Em entrevista coletiva convocada em caráter de urgência, Lieberman defendeu hoje sua inocência. Na conversa com os jornalistas, ele se atreveu a dizer que, daqui a dois anos, continuará à frente da diplomacia israelense e do partido de extrema direita Yisrael Beiteinu (Israel é a Nossa Casa).

O procurador-geral e assessor jurídico do Estado, Menachem Mazuz, decidirá nas próximas semanas se apresenta ou não acusações formais contra Lieberman.

"No que me diz respeito, o momento decisivo será a decisão que o procurador-geral tomar após convocar uma audiência futura, se é que isto vai acontecer. Só depois, se o procurador-geral decidir me acusar, renunciarei ao cargo (de ministro de Assuntos Exteriores) imediatamente, e suponho que no prazo de três a cinco meses renunciarei como chefe do meu partido", declarou.

Lieberman, que até lá manteria sua imunidade parlamentar, ressaltou hoje que em nenhum momento violou a lei.

"Revisei tudo o que aconteceu e tudo o que me foi perguntado.

Estou satisfeito com o que fiz. Se tivesse que fazer tudo de novo, faria exatamente a mesma coisa. Faria tudo de novo se me dessem a oportunidade", afirmou.

O chanceler israelense convocou a imprensa depois que, ontem, seu Ministério divulgou uma nota em que denunciava "uma campanha da Polícia" contra ele e seu partido nos últimos 13 anos.

"Quanto mais poder político o Yisrael Beiteinu foi alcançando, mais intensos se tornaram os esforços para me tirar da cena pública", dizia a nota.

A investigação de Lieberman, que já dura mais de uma década e se tornou uma das mais longas na história penal de Israel, está "praticamente concluída", declarou uma fonte da Polícia.

As informações sobre o caso que vazaram à imprensa apontam Lieberman como o responsável de um esquema de corrupção à frente do qual se manteve mesmo após virar deputado e, posteriormente, ministro.

Segundo o jornal "Ha'aretz", graças a uma rede de empresas que criou com alguns sócios para lavar dinheiro, o político já teria embolsado mais de 10 milhões de shekels (1,86 milhão de euros).

As investigações descobriram ainda que Lieberman e os sócios, depois de suspeitarem que o esquema estava prestes a ser descoberto, tentaram obstruir o trabalho da Justiça pelo menos três vezes, mudando os nomes das companhias que criaram no Chipre.

O ministro também foi interrogado por supostos subornos, recebidos pela empresa de consultoria dirigida pela filha Mijal, igualmente suspeita, segundo a imprensa local.

As quantias de dinheiro que Lieberman recebeu de vários empresários durante os anos em que ficou fora do Parlamento (Knesset) também foram investigadas.

O líder da extrema direita é deputado desde 1999. Ele foi ministro pelo menos quatro vezes desde 2002. Entre as pastas que já assumiu estão a de Assuntos Estratégicos, no Executivo de Ehud Olmert, e a de Assuntos Exteriores, no atual Governo de Benjamin Netanyahu.

A eventual renúncia de Lieberman como ministro e chefe do terceiro maior partido no Parlamento pode obrigar Netanyahu a fazer mudanças estruturais em sua coalizão de Governo, apenas quatro meses depois de chegar ao poder. EFE db/sc

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