Survival denuncia que Governo brasileiro não respeita os povos indígenas

Redação central, 21 mai (EFE).- A Survival International - organização não governamental que apóia os povos indígenas de todo o mundo - denunciou hoje que o Governo brasileiro não respeita os direitos dos povos indígenas da Amazônia, e que antepôs um modelo de desenvolvimento baseado na destruição à sobrevivência destes grupos.

EFE |

"O Governo brasileiro diz que respeita os povos indígenas, mas na prática não é assim", afirmou hoje em entrevista coletiva Fiona Watson, ativista da Survival.

Watson, que visitou recentemente o Brasil, lembrou que há no país cerca de 40 grupos indígenas isolados, cujo futuro está comprometido pela pressão dos madeireiros, dos pecuaristas e das multinacionais do setor energético.

A representante da Survival considerou que o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, quer ajudar os povos indígenas, com os quais se reuniu, "mas na prática impulsiona um desenvolvimento baseado na destruição da floresta tropical".

"Frente a isso, os povos indígenas, em sua condição de minoria, e de maneira especial os povos isolados, acabam não tendo voz importante", acrescentou Watson.

A ativista lembrou que o Governo Lula promete, por exemplo, grandes projetos hidrelétricos "que implicam em reduzir territórios indígenas, sobretudo no norte, onde os políticos estão vinculados a oligarquias que têm muito poder econômico".

"Estão falando em reduzir territórios indígenas, porque dizem que são um obstáculo ao desenvolvimento. Eu me pergunto: ao desenvolvimento de quem? Ao desenvolvimento para quem?", indagou Watson.

Ela elogiou, no entanto, o trabalho da Fundação Nacional do Índio (Funai), órgão oficial do Governo brasileiro.

"Na Funai trabalham pessoas muito dedicadas, mas este ano o orçamento é menor que o do ano passado. Não adianta ter pessoas boas trabalhando, se não se dispõe dos meios nem do dinheiro para fazê-lo", disse.

Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru são os países latino-americanos onde existem grupos indígenas que vivem à margem da sociedade moderna e que correm um sério risco de desaparecer, segundo expôs hoje a Survival, coincidindo com a comemoração do Dia Mundial da Diversidade Cultural.

Watson considerou que os governos de esquerda que vêm se elegendo ultimamente nos países latino-americanos onde existem estas culturas não fizeram uma mudança real no terreno.

"Estes governos são mais sensíveis aos direitos dos povos indígenas na teoria, mas na prática são todos iguais", disse a ativista da Survival, citando como exemplo o presidente do Peru, Alan García, "que negou a existência de povos indígenas isolados em seu país, porque busca o lucro econômico".

Watson ressaltou que os governos latino-americanos têm a "obrigação constitucional" de respeitar os territórios dos indígenas e evitar que os que vivem isolados entrem involuntariamente em contato com outras pessoas.

Ela lembrou que, para estas povoações, uma simples gripe pode levar a um elevado número de mortes, e citou o exemplo do impacto que teve a entrada da companhia petrolífera Shell em território do povo indígena Nahua (na Amazônia peruana), matando em um ano 50% da população com doenças facilmente curáveis no mundo ocidental.

Segundo a Survival, os povos indígenas são mais de 5 mil grupos étnicos diferentes no mundo todo (uma centena deles em situação de isolamento), que somam 300 milhões de pessoas, das quais 150 milhões vivem em sociedades tribais. EFE fpb/fh/gs

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