Surto de nova cepa da E. coli é o mais mortal da história recente

Epidemia na Europa está entre as três maiores em número de infectados; bactéria raramente é transmitida de pessoa para pessoa

iG São Paulo |

O surto de contaminação por uma nova cepa da E. coli está entre os três maiores em números de infectados na história recente e já é considerado o mais mortal. Em uma outra epidemia no Japão, no ano de 1996, 20 pessoas morreram e mais de 9 mil ficaram infectadas. Em 2000, sete pessoas morreram em um surto envolvendo a bactéria no Canadá.

Nesta sexta-feira, laboratórios alemães fizeram um apelo para doações de sangue, enquanto o número total de pessoas infectadas pela cepa mortal da bactéria chegou a 1.823. Cerca de 200 novos casos foram registrados nos últimos dois dias na Alemanha, país que contabiliza o maior número de contaminados. Até agora, a epidemia deixou 17 mortos na Alemanha e um na Suécia.

AP
Carregamento de pepinos espanhóis produzidos em Torremolinos, no sul da Espanha
A Organização Mundial de Saúde (OMS) orienta manter carne crua separada de outros alimentos. Alimentos que são consumidos crus, como frutas e vegetais, devem ser lavados e, se possível, ter a casca retirada. Apesar de a origem da contaminação ainda ser desconhecida, autoridades alemãs e britânicas pedem também que se evitem comer tomates, pepinos e folhas cruas.

Para evitar a contaminação, autoridades do setor de saúde alertam para a necessidade de cuidados de higiene básicos, como lavar as mãos. Segundo especialistas ouvidos pela agência Bloomberg, a E.coli é normalmente transmitida quando fezes, geralmente de animais, são ingeridas. A transmissão de pessoa para pessoa é rara, mas pode acontecer, por exemplo, quando uma pessoa com diarreia que não lavar as mãos adequadamente tiver contato com outras pessoas que não lavarem as mãos antes de comer.

Análises de laboratório não permitem dizer que os legumes tenham originado o surto epidêmico da bactéria mortal. De acordo com um laboratório de referência europeu com sede no Instituto Superior da Saúde (ISS), em Roma, “o alarmismo relacionado ao consumo de legumes é injustificado (...) porque os exames de laboratório não permitiram sustentar a hipótese de que os legumes contaminados são a origem do surto".

Rússia

Nesta sexta-feira, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, defendeu a proibição à importação de vegetais de toda a União Europeia (UE) depois do surto de infecção da E. coli, afirmando que o governo deve proteger sua população.

A UE reagiu ao banimento russo dizendo que ele é desproporcional. Nesta sexta-feira, Putin rejeitou a alegação do bloco europeu, dizendo que autoridades russas não podem arriscar a saúde da população permitindo importação de vegetais da UE quando autoridades nos países afetados fracassaram em determinar a causa do surto , que até agora deixou 18 mortos.

Inicialmente, as autoridades alemãs haviam apontado pepinos importados da Espanha como foco do surto, mas depois descartaram a possibilidade. Inicialmente, a Rússia proibiu importações da Alemanha e da Espanha, mas na quinta-feira estendeu o banimento para toda a UE.

"A Rússia quer, e espero que consiga, aderir à OMC em um futuro próximo", declarou Valenzuela em Moscou. "Um dos aspectos da entrada da Rússia na OMC é respeitar uma série de regras, mas a proibição adotada pelas autoridades da Rússia não respeita essas regras", disse. A Rússia é a última grande potência econômica que não integra a OMC.

Como a suspeita inicial contra os pepinos espanhóis prejudicou as exportações do país, o governo espanhol anunciou na quinta-feira que pedirá " ressarcimento dos danos " causados pelo "erro clamoroso" da Alemanha.

Na quinta-feira, o chefe de governo espanhol, José Luis Zapatero, se reuniu com a chanceler alemã, Angela Merkel, que prometeu "que a Alemanha estudará formas para indenizar os agricultores afetados".

Nesta sexta-feira, o primeiro vice-presidente do governo espanhol , Alfredo Pérez Rubalcaba, afirmou que a Espanha centrará na União Europeia a "exigência de indenizações" ao setor hortifrutigranjeiro pelas perdas geradas após os pepinos espanhóis terem sido responsabilizados pelo surto na Alemanha.

Rubalcaba pediu à União Europeia que assuma a responsabilidade no assunto relativo à contaminação, que se transformou em um problema de saúde pública comunitária. “O governo reclamará à UE que assuma a liderança sobre esse assunto”, explicou Rubalca. “Trata-se de um assunto europeu com componente sanitário e comercial preocupante, e se trata de uma responsabilidade que cabe à Europa sufragar”.

Epidemia

Na quinta-feira, a Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou a cepa da E. coli como "nunca vista antes em uma epidemia".

Uma empresa particular chinesa da área da genética que trabalha com o Centro Hospitalar Universitário de Eppendorf, em Hamburgo, e um laboratório californiano afirmaram na quinta-feira que essa bactéria é um híbrido que traz genes de dois diferentes tipos de E. coli, algo nunca visto antes. "Ela se apresenta resistente aos antibióticos e por isso é extremamente difícil tratá-la", afirmaram.

O Instituto Robert Koch anunciou que na Alemanha - o epicentro do surto - há 520 pessoas contaminadas sofrendo da complicação da síndrome hemolítico-urêmica (SHE), que pode causar falência renal.

Até agora, 13 países - Alemanha, Áustria, República Checa, Dinamarca, Finlândia, França, Holanda, Noruega, Espanha, Suécia, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos - registraram casos de infecção pela bactéria, que provoca hemorragias no sistema digestivo e, nos casos mais graves, transtornos renais. Todos os casos estão relacionados à Alemanha.

Apesar de descartada a contaminação pelos pepinos espanhóis, a UE acredita que os prejuízos para a agricultura do país são irreversíveis. Por precaução, o Instituto Robert Koch continua recomendando aos consumidores evitarem as verduras cruas, qualquer que seja sua origem.

*Com AP, EFE e AFP

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