Surto de cólera no Zimbábue é o pior de sua história, diz ONU

Genebra, 5 dez (EFE).- As agências humanitárias das Nações Unidas definiram hoje o surto de cólera no Zimbábue como o pior da história do país africano.

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"Estamos diante de uma epidemia sem precedentes", alertou a porta-voz de Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Veronique Taveau.

"O surto é muito pior que o último grave que o de 1992. No Zimbábue há, a cada ano, umsurto de cólera, mas nunca tínhamos visto um destas dimensões", afirmou Fadela Chaib, porta-voz de Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo os últimos dados, há 575 mortos, entre 12,7 mil contaminados, "mas é preciso levar em conta que estamos falando dos casos que conhecemos, ou seja, o número de doentes pode ser muito maior, o que nos dá uma idéia da amplitude do problema", ressaltou Elisabeth Byrs, porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

A ajuda humanitária se dividiu em duas frentes. De um lado, a OMS tenta controlar a epidemia, e do outro, a Unicef se encarrega do grave problema da distribuição de água potável.

As agências tentam revisar os dados para poder aumentar os pedidos de fundos para o Zimbábue, algo que por enquanto é difícil, dadas as circunstâncias mais do que excepcionais que atravessa o país.

De fato, as agências não contam com dados confiáveis da maioria das regiões deste país no sul da África, além da capital e das cidades grandes.

"Um dos principais problemas é que não contamos com pessoal para cuidados sanitários, dado que muitos não vão a trabalhar porque o Governo não paga seu salário, e muitos outros se mudam a outros países", explicou Byrs.

Além disso, o sistema sanitário e hospitalar tem deficiências e necessita dos elementos mais básicos para atender aos pacientes.

Segundo explicou Taveau à rede de fornecimento de água é "tão atrasada" que, de fato, ajuda a epidemia a se expandir.

A Unicef gastou só na semana passada US$ 2 milhões de dólares em fornecimento de água e instalação de infra-estrutura sanitária.

"Isto nos dá uma idéia do problema", afirmou a porta-voz do Unicef.

"E falamos do cólera porque ele está arrasando ao país, mas não devemos nos esquecer das outras doenças", lembrou Chaib, que destacou especialmente a malária e a Aids.

Ao todo, 15% da população adulta no Zimbábue tem o vírus HIV e, entre eles, somente 15% têm acesso a tratamento.

Além disso, uma em cada cinco crianças é órfã por causa da Aids e 50% das crianças que morrem no Zimbábue não chegam a completar os cinco anos.

A expectativa de vida é uma das mais baixas do mundo, de 42 anos.

EFE mh/jp

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