Supremo tailandês decreta ordem de prisão de ex-primeiro-ministro

Bangcoc, 11 ago (EFE) - A Corte Suprema tailandesa determinou hoje uma ordem de busca e captura contra o primeiro-ministro deposto e dono do Manchester City, Thaksin Shinawatra, depois que esse violou a liberdade provisória e se exilou no Reino Unido. Com a ordem, o tribunal declarou o ex-líder e sua esposa, Pojaman, oficialmente foragidos da Justiça por descumprirem a obrigação de comparecer, na segunda-feira, à audiência do julgamento ao qual eram submetidos por um dos supostos crimes de corrupção dos quais são acusados. O tribunal entende que os acusados infringiram as condições de liberdade provisória. Portanto, emite as ordens de busca e captura e confisca as finanças, disse em comunicado.

EFE |

A reação do tribunal aconteceu poucas horas depois que Shinawatra anunciou, em Londres, a decisão de se exilar no Reino Unido em resposta às ameaças contra sua segurança e a de sua família, e pelo tratamento injusto que recebe nos tribunais tailandeses.

Em comunicado emitido pela rede de televisão "NBT", Shinawatra disse que permanecerá indefinidamente no Reino Unido, país para o qual viajou no domingo passado.

"Minha esposa e eu viajamos para residir na Inglaterra", assinalou Shinawatra, ex-coronel da Polícia que conseguiu se transformar no maior magnata do país graças a seus investimentos no setor de telecomunicações.

O casal Shinawatra, do qual as autoridades já congelaram cerca de US$ 2 bilhões depositados em contas abertas em bancos tailandeses desde que uma comissão especial iniciou uma investigação sobre os negócios, recebeu permissão do tribunal para viajar a Pequim após alegar que pretendia ir à inauguração dos Jogos Olímpicos.

O multimilionário alegou que resolveu sair da Tailândia porque não confia na Justiça do país, a qual garante estar controlada pelos mesmos militares que o depuseram em setembro de 2006.

"Eles são meus inimigos políticos. Não têm nenhum respeito pelo estado de direito" acrescentou.

Também denunciou que tanto ele quanto sua família haviam sido alvos de várias ameaças de morte, pelo que foram obrigados a se mover de um lado para outro sob fortes medidas de segurança.

"Mas a situação piorou", disse.

O ex-líder acusou o sistema judiciário tailandês de usar "dois pesos e duas medidas" durante os procedimentos judiciais e de estar a serviço de certos interesses políticos.

"Estamos diante de uma continuação da ditadura que controla a política, à qual segue uma ingerência no sistema judiciário", disse o ex-primeiro-ministro em alusão aos militares que o derrubaram.

No início de agosto, Shinawatra negou que estivesse pensando em pedir asilo político para fugir dos vários processos judiciais aos quais ambos estão sendo submetidos na Tailândia.

Há duas semanas, um tribunal tailandês condenou Pojaman a três anos de prisão após considerá-la culpada de evasão de impostos no valor de 546 milhões de bats (US$ 16,3 milhões) por irregularidades na venda da empresa de seu marido, a Shin Corp.

Antes de chegar ao poder em 2001, Shinawatra transferiu à sua esposa, a dois filhos e a outros membros da família a maior parte da empresa, fundada após ele deixar a Polícia, onde era coronel.

Em 2006, a família do então primeiro-ministro vendeu para a companhia cingapuriana Temasek Holdings 49,6% da Shin Corp por aproximadamente 70 bilhões de bats (US$ 2,23 bilhões), em uma polêmica transação livre de impostos.

Shinawatra também é investigado pela Corte Suprema, que deseja determinar se seu Governo concedeu empréstimos ilícitos à Junta Militar de Mianmar (antiga Birmânia) em troca de o regime birmanês favorecer os negócios da Shin Corp.

O magnata governou a Tailândia de 2001 até 2006, quando foi derrubado mediante um golpe de Estado pacífico efetuado por militares, que constituíram a comissão que investiga os supostos casos de desvio de fundos públicos atribuídos à família Shinawatra e aos seus colaboradores.

Shinawatra retornou ao país em fevereiro passado após 18 meses de exílio no Reino Unido e encorajado pela vitória eleitoral do Partido do Poder do Povo (PPP), fundado por seus seguidores e liderado pelo atual primeiro-ministro, Samak Sundaravej, um veterano político de extrema-direita.

Na semana passada e após pouco mais de meio ano de Governo, Sundaravej redefiniu seu Gabinete pelo fato de três ministros próximos a Shinawatra terem sido obrigados a renunciar aos cargos por supostas irregularidades. EFE grc/fh/db

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