Washington, 29 jun (EFE).- O Supremo Tribunal dos Estados Unidos decidiu hoje que uma cidade negou injustamente a promoção de um grupo de bombeiros brancos devido a cor de sua pele, em um controvertido parecer que contradiz uma decisão da juíza Sonia Sotomayor, candidata a fazer parte desta corte.

O caso começou no final de 2003, quando o Corpo de Bombeiros da cidade de New Haven, no estado americano de Connecticut, promoveu exames escritos e orais para 118 bombeiros que concorriam às promoções a tenente e capitão.

Os resultados mostraram que a taxa de aprovação entre os candidatos negros era aproximadamente a metade da dos bombeiros brancos.

A cidade decidiu que não se ateria aos resultados dos exames para evitar as reivindicações dos grupos minoritários.

Dezessete bombeiros brancos e um hispânico iniciaram o processo, e o caso chegou ao Tribunal de Apelações do Segundo Distrito, do qual fazia parte Sotomayor, indicada pelo presidente americano, Barack Obama, para uma vaga no Supremo.

A corte de apelações ratificou a decisão dos tribunais de Connecticut, segundo os quais a cidade não tinha discriminado ilegalmente os bombeiros que tiveram pontuações maiores nos exames.

Hoje, o Supremo Tribunal, em uma decisão tomada por cinco votos a quatro, opinou que a decisão de New Haven de ignorar os resultados dos exames viola a Lei de Direitos Civis de 1964.

A sentença de hoje pode alterar as práticas de contratação e promoção de empregados em todo o território americano, e especialmente as relacionadas com a discriminação positiva das minorias.

A votação no Supremo mostrou, além disso, uma clara divisão entre magistrados conservadores e os menos conservadores, e pode aquecer o ambiente para as próximas audiências de confirmação de Sonia Sotomayor, designada para substituir o juiz David Souter, que apresentou sua renúncia.

Os grupos mais conservadores, que se opõem a Sotomayor, enfatizaram seu papel no caso dos bombeiros de New Haven como amostra da suposta propensão da juíza de favorecer minorias. EFE jab/bba

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