Supremo do Paquistão indicia primeiro-ministro por desacato

Gilani é formalmente acusado de desrespeitar decisão do tribubal ao se recusar a pedir reabertura de inquérito contra presidente

iG São Paulo |

A Suprema Corte do Paquistão indiciou o primeiro-ministro do país, Yousuf Raza Gilani, por desacato nesta segunda-feira. A acusação é a de que o líder desrespeitou uma decisão do tribunal ao se recusar a pedir que autoridades suíças reabrissem uma investigação contra o presidente Asif Ali Zardari.

Gilani se declarou inocente da acusação de desacato. Se condenado, ele pode ir à prisão e deve deixar o cargo. Analistas acreditam que a condenação é provável, mas dizem que Gilani parece estar disposto a se sacrificar em nome do partido e de Zardari, que é seu aliado político.

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Gilani é cercado por seguranças ao chegar à Suprema Corte do Paquistão em Islamabad

Durante a audiência, um dos juízes, Nasirul Mulk, disse que Gilani “deliberadamente desrespeitou, desconsiderou e desobedeceu a orientação dada pela Suprema Corte”. A próxima sessão está marcada para 22 de fevereiro.

Em 2009, a Suprema Corte anulou um decreto de anistia geral que exonerava Zardari de ser responsabilizado judicialmente pelo suposto desvio de fundos públicos transferidos a um banco suíço. Desde então, vem pressionando o governo para reabrir a investigação contra o presidente.

Em uma audiência no mês passado , Gilani disse que não fez o pedido às autoridades suíças porque Zardari tem “completa imunidade dentro e fora do Paquistão”.

O processo acontece no momento em que o governo civil do Paquistão se vê em um crescente conflito com a Suprema Corte por causa de numerosas ordens anunciadas nos últimos dois anos – entre elas a questão da imunidade presidencial.

O governo paquistanês também entrou em conflito com o Exército após um escândalo conhecido como “memogate”. O caso faz referência à divulgação de um memorando no qual um ex-diplomata ligado a Zardari pedia ajuda aos EUA para conter um suposto golpe.

O Exército do Paquistão negou rumores de que prepara um golpe de Estado, reiterando seu apoio à democracia. Além disso, alertou o governo sobre as “ graves consequências ” de acusações nesse sentido.

Nesta segunda-feira, em outra audiência, o Supremo exigiu que duas agências militares de inteligência expliquem a detenção de sete supostos militantes por 18 meses e em más condições sem que elas tenham sido acusado formalmente.

O pedido atende protestos de familiares dos sete homens, que teriam sido mantidos presos com pouca comida e água. As agências têm até 1º de março para enviar um relatório sobre o caso ao Supremo. Não está claro, porém, se a Corte tem poder suficiente para fazer os militares responderem sobre o caso.

Com AP e AFP

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