Supremo autoriza marcha de nacionalistas judeus em cidade árabe de Israel

Jerusalém, 29 out (EFE).- A Corte Suprema de Israel autorizou hoje a realização de uma manifestação de judeus ultranacionalistas em Um O-Fahem, uma das principais cidades árabes do país, decisão que os árabes vêem como provocação.

EFE |

A intervenção da máxima instância judicial de Israel foi requerida pelos líderes ultra-radicais Itamar Ben-Gvir e Baruch Marzel, após a recusa da Polícia em permitir que se manifestassem em Um O-Fahem, a nordeste de Tel Aviv, e onde vivem 41 mil palestinos de nacionalidade israelense.

Segundo os dois, eles e seus correligionários devem ter o direito de se manifestar nessa localidade da mesma forma como os pacifistas fazem em frente a suas casas nos assentamentos judaicos de Hebron, cidade da Cisjordânia considerada pelo direito internacional como "território ocupado".

Para eles, se não houvessem acatado o pedido, teriam causado "um grande dano à credibilidade do Poder Judiciário", e passado a mensagem que "o que está bem para árabes e esquerdistas, está proibido a nós", declarou Ben-Gvir.

Os nacionalistas judeus, em sua maioria colonos do distrito de Hebron, têm a intenção de se manifestar em meados de novembro pelas ruas de Um O-Fahem com bandeiras israelenses, alegando que ela é parte do território de Israel.

Um O-Fahem é uma cidade árabe que ficou dentro do território reconhecido de Israel em 1949, e seus habitantes fazem parte do que normalmente se conhece como a minoria "árabe-israelense", composta por mais de 1 milhão de pessoas.

A manifestação causa grande temor em círculos políticos e de segurança, entretanto, pelas conseqüências que pode chegar a ter na zona, onde residem numerosos ativistas da também extremista "Facção Norte" do Movimento Islâmico de Israel.

O deputado Jamal Zahalka, do Pacto Democrático Árabe (Balad), qualificou a decisão judicial de "legitimação do racismo".

"Empregaremos nossos direitos para protestar e defender Um O-Fahem destes fascistas e racistas", declarou Zahalka.

Outro deputado árabe, Taleb A-Sana, apelou ao assessor jurídico do Governo israelense para que cancele a manifestação porque "é uma provocação".

Para A-Sana, "(a sentença) é uma decisão desgraçada, o Tribunal se rendeu perante um grupo extremista fanático".

A polêmica manifestação acontece pouco depois de as autoridades acalmarem os ânimos entre judeus e árabes na cidade de Akko, ao norte de Haifa e onde há menos de um mês explodiram graves distúrbios entre as duas comunidades. EFE elb-amg/jp

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG