Suprema Corte dos EUA tem primeira hispânica de sua história

A candidata de Barack Obama, Sonia Sotomayor, foi confirmada nesta quinta-feira na Suprema Corte pelo Senado dos Estados Unidos, tornando-se a primeira pessoa de origem hispânica a ocupar este prestigioso cargo vitalício.

AFP |

A juíza da Corte de Apelações de Nova York foi eleita por 68 votos a favor e 31 contra. O senador democrata Ted Kennedy estava ausente por motivos de saúde.

O presidente Obama reagiu imediatamente afirmando que a designação de Sotomayor marca "um dia maravilhoso para a América".

A magistrada prestará juramento sábado na Suprema Corte, antes de assumir oficialmente o cargo em setembro.

Sotomayor é a terceira mulher a integrar a máxima instância jurídica do país. Ela terá a companhia de Ruth Bader Ginsburg, de 76 anos. Sandra Day O'Connor renunciou em 2006. Aos 55 anos, ela também será a segunda mais jovem dos nove membros da Suprema Corte, depois do presidente da instituição, John Roberts, alguns meses mais novo.

Contudo, o mais importante é que Sotomayor é a primeira hispânica a ocupar um cargo tão influente nos Estados Unidos. Sua nomeação para substituir o moderado David Souter não deverá modificar profundamente o equilíbrio atual da máxima instância judiciária dos Estados Unidos, formada por quatro conservadores, quatro progressistas e um independente.

Ao designar esta mulher diabética, de origem portorriquenha, divorciada e considerada uma viciada em trabalho, Obama cumpriu a promessa feita durante sua campanha de privilegiar uma personhalidade consciente dos problemas do dia-a-dia dos americanos.

Sotomayor nasceu no Bronx, um bairro popular de Nova York, e se formou nas melhores universidades americanas. "Ela nunca esqueceu de onde veio", afirmou Obama no fim de maio, ao apresentar sua candidata.

A designação oficial de Sotomayor encerrou um debate intenso no Senado. A magistrada se esforçou em desmentir as acusações de favorecimento étnico, prometendo "fidelidade à lei" e renegando com veemência uma de suas declarações passadas segundo a qual "uma mulher hispânica sábia seria melhor como juíza do que um homem branco".

"Temos que tomar cuidado para não deixar a política afetar o judiciário", declarou terça-feira o senador republicano Jeff Sessions, conclamando seus colegas a votarem contra Sotomayor.

A magistrada era considerada uma moderada capaz de convencer os conservadores. Porém, ela não obteve o consenso desejado por Obama. A juíza conseguiu apenas nove votos republicanos no Senado.

"Fiquei surpresa com o baixo número de republicanos que apoiaram Sotomayor", declarou à AFP Amanda Frost, professora de direito da American University de Washington. "Ela era a melhor candidata que os republicanos podiam conseguir de um presidente democrata", afirmou.

"Se recusarem esta juíza, os republicanos pagarão o preço", alertara na quarta-feira Robert Menendez, o único senador democrata hispânico dos Estados Unidos, referindo-se ao eleitorado latino que apoiou Obama na última eleição presidencial.

lum/yw

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