Suprema Corte dos EUA determina extradição de Noriega para França

A Suprema Corte dos Estados Undiso rejeitou nesta segunda-feira o recurso do ex-presidente do Panamá, Manuel Noriega, e ele deverá ser extraditado para a França pela acusação de lavagem de dinheiro. Noriega está nos Estados Unidos depois de cumprir pena pela acusação de tráfico de drogas desde 1992, mas também foi condenado na França por lavagem de dinheiro em um julgamento sem a presença dele, em 1999, por usar os bancos franceses no processo.

BBC Brasil |

A Justiça francesa já garantiu que ele poderá ter um novo julgamento.

Noriega queria ser enviado de volta ao Panamá assim que completasse a pena nos Estados Unidos. Mas, em abril uma corte americana determinou que ele poderia ser extraditado. Agora, a Suprema Corte rejeitou o recurso do ex-presidente panamenho.

Noriega tem mais de 70 anos e liderou o Panamá do meio até o final dos anos 80. Ele já foi um dos principais aliados de Washington na América Latina e tinha laços estreitos com os então presidentes americanos Ronald Reagan e George Bush (pai do ex-presidente George W. Bush).

Aliado
O líder militar panamenho era visto pelo governo americano como um aliado na luta contra o comunismo e o tráfico de drogas na região.

No entanto, em 1988, um tribunal na Flórida acusou Noriega de ajudar traficantes de drogas colombianos a enviar toneladas de cocaína para os Estados Unidos.

A Casa Branca, então, acrescentou àquela acusação outras duas, de fraude eleitoral e violação dos direitos humanos.

Os Estados Unidos acabaram invadindo o Panamá em 1989, em um conflito que matou, segundo algumas estimativas, cerca de 4 mil civis panamenhos.

Manuel Noriega foi transformado em prisioneiro de guerra durante a invasão e levado para os Estados Unidos, para julgamento.

Defesa
Os advogados de Noriega argumentam que as leis internacionais requerem que ele seja enviado de volta ao Panamá.

Eles afirmam que, como ex-prisioneiro de guerra depois da invasão americana no país, a Convenção de Genebra proíbe sua extradição para um terceiro país.

Nos Estados Unidos, Noriega foi condenado a 30 anos de prisão em 1990, pena que foi reduzida para 17 anos por bom comportamento. No entanto, ele permanece sob custódia nos Estados Unidos desde que completou esta pena, pois aguardava o resultado de seu recurso contra a extradição para a França.

Mas, no Panamá, Noriega poderá ter que cumprir uma pena de 20 anos de prisão por ser o mandante do assassinato, em 1985, de seu então opositor, Hugo Spadafora.

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