Suprema Corte dos EUA adia venda da Chrysler para Fiat

A Suprema Corte dos Estados Unidos aceitou, nesta segunda-feira, um pedido de suspensão temporária do processo de venda da montadora americana Chrysler para um consórcio liderado pela italiana Fiat. A solicitação foi feita à Corte durante o final de semana por três fundos de pensão do Estado americano de Indiana e grupos de defesa do consumidor.

BBC Brasil |

Os autores solicitaram que o processo de venda dos ativos da Chrysler fosse interrompido para que eles possam entrar com apelações para questionar a medida.

Em uma curta sentença divulgada nesta segunda-feira, a juíza da Suprema Corte Ruth Bader Ginsburg afirma que a autorização para a venda feita por um Tribunal de Falências de Nova York, na semana passada, "está pendente até novas ordens".

Antes da decisão da juíza, a montadora italiana Fiat planejava fechar o negócio com a Chrysler no máximo até o dia 15 de junho. Após essa data, a Fiat poderia desistir da transação.

Ainda não está claro por quanto tempo o processo de venda será interrompido. Segundo o jornal The New York Times, a ordem dará à juíza e aos outros membros da Corte tempo para analisar o caso e as apelações que pedem pela suspensão da venda.

Objeções
Os advogados dos fundos de pensão que questionam a medida afirmam que a Chrysler poderia ter recebido uma proposta melhor que a da Fiat.

Eles também questionam a autoridade do governo Obama em fornecer dinheiro do pacote originalmente destinado a instituições financeiras para a Chrysler.

Os fundos de pensão, que detêm cerca de US$ 42 milhões da dívida de US$ 6,9 bilhões da empresa, afirmam ainda que o acordo de venda não beneficia os credores.

"A grande questão é se os americanos médios ou os aposentados, como os que eu represento, terão seus recursos protegidos ou tirados deles por ações do governo federal", afirmou o secretário do Tesouro do Estado de Indiana, Richard Mourdock, que representa alguns dos solicitantes.

A Chrysler entrou em processo de concordata no último dia 30 de abril, depois de uma grande queda nas vendas causada pela crise financeira nos EUA.

Consequências graves
A venda da Chrysler a um consórcio liderado pela Fiat tem sido bastante apoiada pelo governo americano, que enxerga no negócio uma maneira de a empresa sair da concordata.

Pelo acordo, a Fiat controlaria 20% da Chrysler, enquanto 68% ficariam com um fundo de aposentados dos sindicatos. Os governos do Canadá e dos EUA dividiriam os outros 12%.

Antes do anúncio da medida da Suprema Corte, o governo Obama afirmou que qualquer bloqueio ao negócio teria "graves consequências".

A procuradora geral Elena Kagan afirmou que o impedimento à venda levaria a Chrysler a ser liquidada.

O caso da Chrysler é visto como um possível precedente para o da montadora General Motors, que pediu concordata em 1º de junho.

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