Suprema Corte do Peru ratifica condenação de Fujimori

A Suprema Corte do Peru confirmou neste domingo a condenação do ex-chefe de Estado Alberto Fujimori a 25 anos de prisão por violações dos direitos humanos cometidas durante sua presidência, entre 1990 e 2000.

AFP |

Fujimori, 71 anos, foi condenado em abril, ao término de um processo de 16 meses, por seu papel no massacre de civis por "esquadrões da morte" em 1991 e 1992, quando o Estado praticava uma repressão brutal contra as guerrilhas de extrema-esquerda, como o Sendero Luminoso.

Em 1991, em Barrios Altos, em Lima, 15 pessoas, entre elas mulheres e crianças, foram assassinadas por um comando de homens encapuzados que abriu fogo contra os participantes de uma festa particular.

Em 1992, nove estudantes e um professor de esquerda da universidade de La Cantuta, em Lima, foram sequestrados e executados.

A Suprema Corte, que examinou a apelação de Fujimori em novembro, confirmou a sentença por unanimidade, anunciou a própria instância neste domingo em comunicado.

O deputado Carlos Raffo, da bancada parlamentar de Fujimori, denunciou uma "execução política" do ex-presidente, condenado "sem provas". "Nossa vingança será o triunfo do fujimorismo nas eleições de 2011", avisou.

A filha de Fujimori, Keiko, 34 anos, é uma deputada muito popular, e tem tudo para se candidatar à eleição presidencial de 2011. De acordo com as pesquisas de opinião, seu maior rival é o prefeito de Lima, Luis Castaneda.

A decisão deste domingo marca o fim de um processo de mais de dois anos sobre a década de Fujimori no poder, abalada por derivas autoritárias e escândalos de corrupção que dividiram profundamente a sociedade peruana.

Para muitos peruanos, o regime de Fujimori merece crédito por ter derrotado as guerrilhas do Sendero Luminoso (maoísta) e do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (guevarista) ao término de um sangrento conflito interno que deixou 70.000 mortos e desaparecidos entre 1980 e 2000.

Segundo uma pesquisa realizada no início de 2009, 31% dos peruanos dizem compartilhar as ideias de Fujimori.

No julgamento de abril, o ex-presidente também foi condenado pelos sequestros, com agravantes, de um jornalista e um empresário por seus serviços secretos.

A defesa queria que estes crimes fossem considerados sequestros "simples", para facilitar um pedido de libertação antecipada. No entanto, a Suprema Corte rejeitou a demanda.

O advogado de Fujimori, Cezar Nakazaki, já disse no passado que não descartaria recorrer a uma jurisdição internacional se a apelação fosse rejeitada.

Alberto Fujimori, que está preso desde sua extradição do Chile, em 2007, também foi condenado, em dois processos distintos em 2007 e 2009, a penas de seis e nove anos de prisão, por corrupção e abuso de poder.

A justiça peruana estipula que uma pessoa condenada diversas vezes deve cumprir apenas a pena mais longa, que no caso de Fujimori se eleva a 25 anos.

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