Supostos membros do ETA dizem ter treinado na Venezuela

Espanha pediu informações para governo venezuelano que diz ser "contra este e qualquer outro grupo terrorista"

Reuters |

A Espanha solicitou informações à Venezuela depois que dois supostos membros do grupo separatista ETA afirmaram à Justiça espanhola que receberam treinamento militar no país sul-americano entre julho e agosto de 2008, disseram fontes governamentais na segunda-feira.

Documentos judiciais divulgados na segunda-feira junto aos mandados de prisão de Juan Carlos Besance e Xavier Atristain citam diligências e declarações dando conta de que ambos foram instruídos no território venezuelano após passarem por cursos de formação básica na França.

Os dois foram detidos na semana passada em Guipúzcoa, e são acusados de porte de armas e explosivos e de envolvimento com o terrorismo.

Fontes oficiais disseram à Reuters que a chancelaria espanhola pediu informações a Caracas, aproveitando a "colaboração permanente" entre os dois países.

Os dois suspeitos não quiseram se pronunciar frente ao juiz do caso, Ismael Moreno.

Segundo o ministro do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, "os dois membros desse comando estiveram no ano de 2008 treinando na Venezuela sob a direção de dois supostos militantes do ETA detidos na França em 2009 e 2010."

Os contatos deles na Venezuela seriam Arturo Cubillas e José Lorenzo Ayestaran, que davam cursos abordando criptografia de dados, desmontagem e limpeza de armas e posições de tiro, segundo os documentos judiciais.

O governo venezuelano minimizou as declarações dos supostos militantes bascos e afirmou colaborar "contra este ou qualquer outro grupo terrorista que ponha em perigo a paz ou a vida de qualquer cidadão."

Em março, um juiz espanhol havia acusado o governo de Hugo Chávez de ajudar o ETA e a guerrilha colombiana Farc a estabelecerem uma cooperação em território venezuelano.

O juiz Eloy Velasco afirmava também que Arturo Cubillas, suspeito de ligação com o ETA, havia ocupado vários cargos públicos na Venezuela sob o governo de Chávez.

O documento provocou tensão entre Caracas e Madri, até que os dois governos divulgassem um documento conjunto reafirmando seu compromisso de lutar contra o terrorismo.


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