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Suposto raptor de Jaycee diz que tinha relação de ternura com refém

EL DORADO - O sequestrador de Jaycee Dugard, a jovem que foi mantida em cativeiro durante 18 anos na Califórnia e com quem teve duas filhas, classificou sua relação com a refém de terna e explicou que dormia todas as noites na mesma cama com a sequestrada e as duas meninas.

Redação com agências internacionais |

"Vocês vão descobrir que a história de maior impacto provém da testemuha, da vítima, por isso melhor esperar", afirmou Phillip Garrido em uma entrevista por telefone, dada logo depois de sua prisão, ao canal local KCRA.

"O que me manteve ocupado nos últimos anos é que mudei completamente de vida", acrescentou Garrido. "Vocês vão cair de costas, pois vão descobrir que a história é mais impactante e terna. Esperem só", insistiu.

A mãe de Jaycee Dugard e seu padrasto, hoje separados, vivem no sul da Califórnia. A mãe encontrou sua filha horas depois da revelação do caso. "Eu tinha perdido toda esperança", afirmou Probyn à ABC News, chorando muito.

Garotas isoladas

De acordo com os primeiros elementos da investigação, ela vivia sequestrada no quintal da casa de seu sequestrador, em Antioch, a 70km a leste de San Francisco.


Jaycee teria morado por 18 anos em barracões no jardim da casa de Garrido / AP

"Atrás da casa havia um abrigo, barracas e pequenas construções, onde Jaycee e as meninas passaram a maior parte de suas vidas", declarou Kollar em entrevista à imprensa.

Segundo o jornal local Sacramento Bee, as duas meninas estariam com 11 e 15 anos, o que significa que Jaycee teve a mais velha com 14 anos. "Nenhuma das meninas foi à escola ou ao médico. Elas foram mantidas completamente isoladas", acrescentou Kollar.

"Tudo foi feito para privar as vítimas de qualquer contato externo", observou o xerife adjunto. "Um dos abrigos era inteiramente isolado e podia ser aberto somente pelo lado de fora".

Comportamento suspeito

Garrido, que estava em liberdade condicional, era condenado por estupro e sequestro, cometidos em 1971. Ele está na lista americana de delinquentes sexuais.


Phillip Garrido e sua mulher, Nancy, são suspeitos de raptar Jaycee Lee Dugard / AFP

Garrido foi denunciado por seu comportamento suspeito, enquanto distribuía folhetos religiosos na Universidade da Califórnia. Seu agente da condicional o convocou e compareceu ao encontro acompanhado das duas crianças, de sua mulher e da jovem americana, que ele apresentou pelo nome "Allissa".

O agente, que já havia ido à casa de Garrido, nunca tinha visto "Allissa" e as duas meninas. "Ele pensou que estas pessoas eram suspeitas", indicou Kollar. Na confusão, avisou a polícia, que interrogou "Allissa", descobrindo o caso.

Sequestro em 1991

Jaycee Dugard tinha 11 anos quando foi sequestrada em 10 de junho de 1991 em South Lake Taohe, no condado de El Dorado, a aproximadamente 200 km a noroeste de San Francisco, na Califórnia, bem diante de seu padrasto.


Imagem de arquivo de Jaycee Lee Dugard antes do rapto em 1991

Ela foi encontrada na quinta-feira em bom estado de saúde depois de ter ficado em isolamento durante 18 anos e ter tido dois filhos com seu sequestrador, uma história que recorda os casos Kampusch e Fritzl na Áustria.

Phillip Garrido, 58 anos, foi detido pelo FBI junto com sua mulher Nancy, 54 anos. O caso foi descoberto puramente por acaso, em função da investigação de um outro crime.

O xerife adjunto do condado de El Dorado, Fred Kollar, contou detalhes sobre o calvário da jovem americana, destacando que ela estava "bem de saúde". "Mas viver trancada durante 18 anos causa algum tipo de destruição".

"Completamente louco"

O irmão mais velho do sequestrador, Ron Garrido, 65 anos, explicou ao San Francisco Chronicle que estava chocado, mas não espantado com o comportamento de seu irmão mais novo. "Eu conheço meu irmão e acho que ele pode ter feito isso. Ele é completamente louco".

Ele também caracterizou Nancy Garrido como um "robô" que estava completamente sob o controle do marido e fazia tudo que ele mandava sem questionar.

Outros casos

Este novo caso de sequestro lembra dois recentes casos de repercussão mundial ocorridos na Áustria.

Em 2006, Natascha Kampusch, sequestrada em dois de março de 1998, aos dez anos de idade, conseguiu fugir, sã e salva. O sequestrador da menina se suicidou em seguida.

Em março passado, o processo de Josef Fritzl deu volta ao mundo. Acusado de ter sequestrado sua filha Elisabeth durante 24 anos no sótão de sua casa, tendo com ela sete filhos, ele foi condenado à prisão perpétua.

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