Suposto guarda nazista parece apto para ficar em cadeia alemã

MUNIQUE, Alemanha (Reuters) - O suposto guarda de um campo de concentração nazista John Demjanjuk está apto a ficar na cadeia, disseram promotores públicos alemães nesta quarta-feira após a chegada do homem de 89 anos dos Estados Unidos para enfrentar acusações de ajudar a matar 29 mil judeus em 1943. Demjanjuk, que está na prisão no sul da Alemanha desde terça-feira, está no topo da lista dos 10 suspeitos mais procurados pelo Centro Simon Wiesenthal por crimes de guerra e poderá se tornar o foco do que parece ser o último grande julgamento da Alemanha contra um acusado de cometer crimes na época do nazismo.

Reuters |

"Ele passou a noite bem e o médico acredita que ele está apto a ficar na cadeia", disse o promotor público Anton Winkler.

Nascido na Ucrânia, Demjanjuk chegou dos Estados Unidos na terça-feira após uma série de tentativas legais de sua família em impedir sua deportação para a Alemanha devido a razões de saúde.

Os promotores públicos de Munique querem que ele seja julgado por colaborar com assassinatos cometidos no campo de extermínio de Sobibor, localizado onde hoje é a Polônia, e planejam acusá-lo nas próximas semanas. Depois disso, autoridades alemãs terão de decidir se ele tem condições de passar por um julgamento.

Demjanjuk nega qualquer participação no Holocausto.

O caso gerou um tímido debate público na Alemanha, indicando que 60 anos após a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto, muito alemães querem deixar para trás esta página do passado.

Nenhum líder político alemão comentou sobre a deportação, que foi, no entanto, saudada por grupos judaicos.

Demjanjuk disse que foi convocado pelo Exército russo em 1941, se tornando um prisioneiro de guerra da Alemanha um ano depois, servindo nos campos alemães até 1944. Ele imigrou para os Estados Unidos em 1951 e se tornou um cidadão naturalizado em 1958.

Demjanjuk perdeu a cidadania norte-americana em 1981 e foi extraditado para Israel, onde foi condenado a morte em 1988, depois de vários sobreviventes do Holocausto afirmarem que ele era o guarda conhecido como "Ivan, o terrível", que atuou no campo de concentração de Treblinka, onde 870 mil pessoas morreram.

Mas a Suprema Corte de Israel reviu a sentença, após evidências de que outro homem era o provável "Ivan".

Ele reconquistou a cidadania norte-americana em 1998, mas o Departamento de Justiça dos EUA reviu o caso em 1999, argumentando que ele trabalhou para os nazistas como guarda em três outros campos. Sua cidadania dos EUA foi retirada novamente em 2002.

(Reportagem de Jens Hack)

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