Suposto autor de massacre na Noruega postou manifesto na internet

Em documento de 1,5 mil páginas, suspeito prega uma cruzada antimuçulmana; segundo seu advogado, ele queria uma 'revolução'

iG São Paulo |

AP
Imagem mostra Anders Behring Breivik em manifesto que lhe foi atribuído e encontrado em 23/07 (a imagem foi alterada para remoção do fundo)
O suposto autor do duplo atentado na Noruega, Anders Behring Breivik, que qualificou seu ato de "cruel, mas necessário", colocou na internet um manifesto de 1,5 mil páginas conclamando à violência contra muçulmanos e comunistas. No documento atribuído a Breivik, que registra um planejamento de meses para os ataques, o norueguês alega fazer parte de um pequeno grupo cuja intenção é "tomar o controle político e militar dos países da Europa Ocidental e implementar uma agenda de cultura política conservadora".

O longo documento intitulado "2083 - Uma Declaração Europeia de Independência", postado em inglês horas antes do atentado duplo, afirmou que a elite europeia, "os multiculturalistas" e os "enaltecedores da islamização" seriam punidos por seus "atos de traição". O texto também declara a "guerra" contra os imigrantes muçulmanos e os marxistas.

"Nós, a livre população nativa da Europa, por este meio declaramos uma guerra preventiva contra todas as elites marxistas/ multiculturalistas da Europa Ocidental... Sabemos quem vocês são, onde moram e vamos atrás de vocês", diz o texto. "Estamos no processo de apontar cada traidor multiculturalista na Europa Ocidental. Vocês serão punidos por cada ato de traição contra a Europa e os europeus."

Apesar de a polícia não ter confirmado que o manifesto foi escrito por Breivik, seu advogado Geir Lippestad referiu-se a ele e disse que seu cliente trabalhava no texto havia anos. O manifesto está assinado como Andrew Berwick.

O uso de um pseudônimo anglicano poderia ser explicado por uma passagem no manifesto descrevendo a refundação, em abril de 2002 em Londres, dos Cavalheiros Templários - uma ordem medieval fundada para proteger os peregrinos cristãos na Terra Santa depois da Primeira Cruzada.

Também se acredita que Breivik postou um vídeo na sexta-feira resumindo seus argumentos. No final da gravação, o vídeo o mostra em um uniforme militar, segurando uma arma de assalto. Raramente um suspeito de assassinato em massa deixou um relato tão detalhado de suas atividades. O documento descreve em detalhes como ele adquiriu substâncias químicas, seus experimentos com explosivos caseiros e sua primeira detonação bem-sucedida de uma bomba em 13 de junho.

O manifesto termina com a afirmação: "Acho que é o último texto que escreverei. Hoje é sexta-feira, 22 de julho, 12h51." Duas horas e meia mais tarde, um carro-bomba explodiu em frente do complexo governamental de Oslo, deixando 7 mortos, ao qual seguiu o massacre na Ilha de Utoya , com outros 86 mortos.

No total, os ataques deixaram 93 mortos e 96 feridos. O total subiu neste domingo após a morte de um dos feridos no ataque ao acampamento. Segundo a polícia, há ainda quatro desaparecidos. O chefe de polícia Sveinung Sponheim disse não haver indicações se Breivik escolheu seus alvos ou se atirou indiscriminadamente na ilha. Ambos os alvos, porém, têm relação com o Partido Trabalhista, que lidera a coalizão de governo.

No manifesto, o suspeito indicou que um ataque era iminente: "Com o objetivo de romper com sucesso a censura da mídia marxista/ multiculturalista, somos forçados a empregar operações mais brutais e de tirar o fôlego, que resultarão em baixas." Ele também previa uma conflagação que causaria a morte ou o ferimento em mais de 1 milhão de pessoas, afirmando: "O tempo para o diálogo acabou. Demos à paz uma chance. O tempo para a resistência armada chegou."

O norueguês é ligado a grupos ultradireitistas, fundamentalistas cristãos e islamófobicos . A polícia e o advogado disseram que Breivik, de 32 anos, confessou ser autor dos dois atentados, mas rejeitou responsabilidade criminal pelo dia que chocou a pacífica Noruega e representou o mais mortal para o país desde a Segunda Guerra Mundial . Ele foi acusado de terrorismo e deve comparecer perante um tribunal nesta segunda-feira.

Veja imagens dos ataques na Ilha de Utoya:

Segundo Lippestad, conhecido por ter defendido famosos neonazistas, Breivik disse ter como motivação para os ataques o desejo de causar uma revolução na sociedade norueguesa. "Ele queria uma mudança na sociedade e, sob sua perspectiva, precisava forçar isso por meio de uma revolução", afirmou. "Ele queria atacar a sociedade e sua estrutura."

Apesar de Breivik ter dito que lançou sozinho o ataque duplo , a polícia realizou neste domingo uma operação em um bairro de Oslo . Sobreviventes do massacre na ilha apontam para a possibilidade de haver dois atiradores, e no sábado a polícia confirmou que investigava esses relatos, não descartando a existência de um segundo suspeito .

Testemunhas que participavam do acampamento da ala juvenil do Partido Trabalhista disseram que Breivik, antes de começar a disparar, atraiu as pessoas em sua direção dizendo ser um policial. As pessoas se esconderam ou correram para a água para escapar da carnificina; alguns fingiram de mortos .

A polícia só chegou ao local 90 minutos depois de o primeiro tiro ser disparado - atraso explicado pelo fato de não terem um rápido acesso a um helicóptero e pela dificuldade em encontrar um barco assim que chegaram ao lago. Sem oferecer resistência, Breivik se rendeu quando foi cercado por uma equipe da Swat.

*Com AP, New York Times e EFE

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