Por Jane Sutton GUANTÁNAMO (Reuters) - Um cidadão saudita acusado de quase ter sido o 20o sequestrador do 11 de Setembro tentou se matar no começo de abril na base naval norte-americana de Guantánamo, depois de saber que poderá ser condenado à morte, disse sua advogada na segunda-feira.

Mohammed Al Qahtani se cortou pelo menos três vezes e numa delas teve uma 'hemorragia profunda' que exigiu sua hospitalização, segundo a advogada Gitanjali Gutierrez.

Aparentemente o réu pensou que sua execução fosse iminente e se descontrolou. 'Ele perdeu toda a esperança e realmente teve uma reação psicológica muito direta a tudo isso', disse Gutierrez.

A direção da prisão de Guantánamo, onde os EUA mantêm suspeitos de terrorismo, disse que não comenta casos individuais.

Qahtani foi indiciado em fevereiro sob a acusação de conspirar com a Al Qaeda para atirar aviões sequestrados contra o World Trade Center e o Pentágono, em 2001. O funcionário do governo encarregado dos tribunais de guerra de Guantánamo retirou as acusações em 13 de maio, sem explicar o motivo, mas reservando-se o direito de reapresentá-las posteriormente.

A advogada disse que soube do caso em abril, mas só agora foi autorizada a relatá-lo.

Membros do governo dizem que Qahtani deveria participar do sequestro dos quatro aviões em 11 de setembro de 2001, mas que ele foi barrado nos EUA, num aeroporto da Flórida.

Ele está preso em Guantánamo há mais de seis anos e foi submetido a um 'plano especial de interrogatório', aprovado em 2002 pelo então secretário de Defesa, Donald Rumsfeld. Isso inclui agressões, privação do sono, prolongados isolamentos, ameaças contra si e sua família, nudez forçada, humilhação sexual, frio, música alta e acorrentamento por longos intervalos em posições desconfortável, segundo registros que vieram a público.

De acordo com Gutierrez, ele era obrigado a latir e a apanhar lixo com as mãos enquanto era chamado de porco.

Um relatório da corregedoria do Departamento de Justiça, divulgado na terça-feira, diz que importantes membros do governo Bush ignoraram as preocupações do FBI a respeito do tratamento abusivo aos presos capturados como parte da 'guerra ao terrorismo'.

Quatro presos de Guantánamo cometeram suicídio por enforcamento desde 2006.

Os advogados dizem que Qahtani não pode ser processado porque as provas contra ele foram obtidas sob tortura. Dizem que ele deveria ser transferido para a Arábia Saudita, onde continuaria preso.

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