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Suposta cúmplice de assassino em série francês lamenta crimes

Paris, 1 abr (EFE) - A esposa do suposto assassino em série francês Michel Fourniret disse hoje, pela primeira vez, lamentar os crimes que levaram ambos a ser julgados no Tribunal de Charleville-Mézières (nordeste da França). Com o tempo e a distância, lamento tudo o que foi feito. É verdadeiramente horrível, disse a suposta cúmplice, ao lembrar de sua participação e de sua passividade em alguns dos sete crimes pelos quais está sendo julgada junto a seu marido.

EFE |

Ela respondia, desta forma, às perguntas de uma policial belga que tinha estudado as cartas que Fourniret lhe enviou em 1987, de uma prisão onde cumpria pena por agressões sexuais, e nas quais lhe expunha futuros projetos criminais comuns.

A suposta cúmplice, Monique Olivier, de 59 anos, explicou que aceitou colaborar com o assassino e buscar jovens virgens em troca de que assassinasse seu primeiro marido e pai de seus filhos, para assim poder recuperar as crianças.

Acrescentou ainda que não levava "muito a sério" tudo o que era dito nas cartas de Fourniret, de 66 anos, conhecido hoje como o "Ogro das Ardennes", suspeito de ser um dos maiores assassinos em série da França.

O primeiro dos sete crimes pelos quais Fourniret é julgado há quatro dias, todos eles confessos, ocorreu dois meses depois de sair da cadeia, em outubro de 1987.

Perante o olhar atento de Fourniret, que desde que teve início a audiência, no dia 27, costuma ignorá-la, a acusada reiterou ter dito tudo o que sabia.

"Não entendo porque esconderia algo", acrescentou Monique, perante questionamentos a respeito expressados por um policial belga que participou dos interrogatórios dos dois acusados em 2003, quando o suposto assassino foi detido.

A esposa de Fourniret, julgada por um assassinato e por cumplicidade em outros quatro, disse que, em 2004, decidiu confessar o que sabia "quando ele me anunciou que em breve seria solto", pois "não queria que voltasse (a viver) conosco. Foi por mim e por Sélim", o filho do casal.

Na época, Monique Olivier chegou a acusar seu marido de até nove assassinatos e, em 2005, chegou a onze, dos quais dois são negados categoricamente por Fourniret.

Os sete crimes de jovens de entre 12 e 22 anos contemplados neste primeiro julgamento contra o "casal diabólico", como a imprensa chama ambos, foram cometidos entre 1987 e 2003 na França e na Bélgica, mas a Justiça suspeita de que eles estariam envolvidos em outros.

Em março, Fourniret foi processado por dois outros assassinatos de mulheres jovens e Monique por cumplicidade, enquanto a Justiça belga reabriu a investigação sobre o desaparecimento de uma menina de nove anos, em 2003, por considerar que poderia Fourniret poderia estar implicado no caso.

O suposto assassino em série foi detido nesse mesmo ano, quando uma jovem que ele tinha seqüestrado conseguiu escapar.

Segundo a acusação, o casal seqüestrava as jovens, em sua maior parte virgens, às quais chamava de "membranas com pernas", que Fourniret estuprava e assassinava, para depois enterrar seus corpos.

Monique, à qual conheceu através de um classificado quando cumpria pena por agressões sexuais, ajudava-o a entrar em contato com suas vítimas potenciais, segundo os investigadores.

À medida em que a investigação avançava, o papel de Monique foi mudando, sua dupla condição de vítima e carrasco foi abrindo caminho para uma mente manipuladora, com um QI superior ao normal e uma maior implicação nos assassinatos, e era ela que convidava as jovens a entrar na caminhonete.

lg/db

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