Superpopulação, estresse e poluição são possíveis causas da letalidade da gripe no México

A superpopulação, o estresse, a poluição atmosférica e a desnutrição são, possivelmente, as causas da letalidade da gripe suína na Cidade do México, disse neste sábado à AFP José Iván Sánchez, virólogo da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM).

AFP |

A epidemia já deixou 16 mortos no México, sendo 11 na capital e três no Estado do México, que engloba os subúrbios da capital, onde vivem mais de 20 milhões de pessoas.

A capacidade do vírus H1N1 para provocar "este dano pulmonar que resulta em pneumonia e na morte" possivelmente é consequência "da baixa imunidade" decorrente do estresse e da poluição atmosférica, destacou Sánchez.

O ministro da Saúde, José Angel Córdova, já disse que o alto índice de óbitos no México se deve ao fato de que os pacientes "chegam em estado muito grave" ao hospital.

Segundo os especialistas, se o paciente é tratado com antiviral até dois dias após o surgimento dos sintomas, a possibilidade de cura é quase total.

Para Iván Sanchez, além da demora no tratamento, há outros fatores que contribuem para a alta letalidade da gripe suína na Cidade do México, onde a população é mais estressada e a poluição atmosféria altíssima, o que contribui para debilitar o sistema imunológico".

"Se vivessem em um sistema natural sem estresse, sem poluição e com boa nutrição, isto evitaria que o vírus tivesse a capacidade de gerar o dano pulmonar que leva à pneumonia e, por sua vez, à morte", destacou o virólogo.

Na Cidade do México e em sua imensa região suburbana ao menos 10% dos recém-nascidos tem menos de 2,5 quilos, devido à desnutrição das mães, ao estressante ritmo de vida e à poluição ambiental, segundo dados da secretaria de Saúde.

As vítimas fatais da epidemia de gripe suína no México, denominada gripe A (H1N1) pela Organização Mundial de Saúde (OMS), tinham entre 21 e 40 anos de idade e 12 eram mulheres.

O número de casos confirmados da gripe suína no México passou de 397 para 443 da noite de sexta-feira para este sábado.

Segundo o especialista, os mesmos fatores que podem estar provocando o elevado número de óbitos também propiciariam a vertiginosa propagação do vírus, com o agravante do elevado uso de transportes coletivos na Cidade do México, a exemplo do metrô, por onde circulavam diariamente 4,5 milhões de passageiros.

jg/LR

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