Um relatório do governo americano mostrou que, apesar do superávit maciço gerado pela receita petroleira, o Iraque está gastando muito pouco na reconstrução do país, enquanto os Estados Unidos têm destinado bilhões em ajuda financeira ao país. O documento foi preparado pelo Escritório de Prestação de Contas do Governo (Government Accountability Office ou GAO, em inglês) a pedido de dois senadores membros do Comitê de Serviços Armados da Casa.

O relatório estima que o Iraque recebeu entre 2005 e 2007 cerca de US$ 96 bilhões, dos quais o petróleo respondeu por 94%.

Neste ano, com o petróleo a um preço médio entre US$ 97 e US$ 125, a receita poderia subir para algo entre US$ 73 bilhões e US$ 86 bilhões, gerando um superávit de cerca de US$ 50 bilhões, afirmou o órgão.

Apesar disso, apenas 1% foi gasto na manutenção de edifícios, esgotos, eletricidade e armas, diz o relatório.

É um contraste com os gastos bilionários dos americanos no país. De US$ 48 billhões apropriados pelo Congresso americano para serem gastos no Iraque desde o início da guerra, US$ 42 bi já foram empenhados, calculou o GAO.

Os dois senadores que solicitaram o documento - o republicano John Warner e o democrata Carl Levin - utilizaram os dados para questionar a ajuda financeira americana ao país.

"Nós não deveríamos estar pagando pelos projetos iraquianos, enquanto a receita com o petróleo continua a se acumular nos bancos", afirmou o senador Levin.

Segundo o estudo, a falta de pessoal treinado, sistemas orçamentários falhos e a violência sectária reduzem a capacidade do governo iraquiano de gastar mais em investimentos básicos.

Enquanto isso, recursos destinados a projetos permanecem em contas bancárias, aguardando que a situação no país melhore.

O GAO observou que os Estados Unidos têm financiado atividades para ajudar o governo iraquiano a capacitar instituições civis e de segurança e dessa forma melhorar a capacidade do governo de executar seu orçamento para investimentos básicos.

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