Summers, controverso e experiente, será o assessor econômico de Obama

Elvira Palomo. Washington, 24 nov (EFE) - O próximo assessor econômico da Casa Branca, Lawrence H. Summers, fornecerá seus oito anos de experiência na Administração de Bill Clinton para ajudar o presidente eleito, Barack Obama, a retomar as rédeas da economia do país.

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Este economista nascido em New Haven, Connecticut, há 53 anos foi uma peça-chave da equipe econômica da campanha democrata e agora o líder eleito quer continuar mantendo-o próximo a si.

O jornal "The Washington Post" o define como alguém "brilhante, direto e seguro de si mesmo", mas com "tendência à controvérsia", por algumas de suas declarações públicas que causaram polêmica em mais de uma ocasião.

Filho de dois economistas e sobrinho de dois prêmios Nobel de Economia (Paul Samuelson e Kenneth Arrow), Summers começou a estudar aos 16 anos no Massachusetts Institute of Technology (MIT), onde descobriu a paixão pela economia.

Em 1975, obteve o bacharelado e, em 1982, conquistou o doutorado em Filosofia pela Universidade de Harvard.

Summers despontava como um jovem com talento que começou a dar aulas no MIT e, em 1983, se transformou em um dos professores mais jovens de Harvard, com apenas 28 anos. Desde então, alternou a sala de aula com uma incipiente carreira política.

Entre 1982 e 1983, fez parte da equipe de assessores econômicos do presidente Ronald Reagan e, em 1988, participou da campanha do candidato democrata à Presidência, Michael Dukakis, com a mesma função.

Nos anos 1990, começa uma nova etapa dentro do Banco Mundial (BM), onde desempenhou a função de vice-presidente de Assuntos Econômicos e economista-chefe entre 1991 e 1993.

Como economista-chefe, foi membro do Comitê de Empréstimos do BM, onde desempenhou um papel-chave na elaboração de estratégias de assistência aos diferentes países, assim como na investigação, estatísticas e programas de formação externa da instituição.

Em abril de 1993, passou a fazer parte da Administração do democrata Bill Clinton como subsecretário do Tesouro encarregado de Assuntos Internacionais, e, dois anos depois, foi nomeado secretário-adjunto ao titular da pasta, Robert Rubin.

Summers tornou-se, assim, o segundo homem no comando do Departamento do Tesouro, após o secretário Robert Rubin, e ficou encarregado, entre outros, dos assuntos de política internacional, política fiscal e sistema financeiro.

Como secretário-adjunto, Summers teve um papel fundamental na implementação de pacotes internacionais de resgate dos países afetados pela crise que começou em 1997 na Ásia e que se estendeu posteriormente a algumas nações sul-americanas e à Rússia.

Em 1999, substituiu Rubin no cargo, mas ficou à frente do departamento apenas por um ano e meio.

Após a vitória do republicano George W. Bush sobre o democrata Al Gore, voltou à vida acadêmica como reitor da Universidade de Harvard.

À frente da instituição, realizou uma série de reformas para impulsionar o centro acadêmico, mas também protagonizou um polêmico discurso em 2005 sobre a superioridade dos homens frente às mulheres em matemática e ciências.

As declarações tiveram um grande impacto na comunidade acadêmica e, em 2006, deixou Harvard, apesar dos pedidos para que permanecesse no cargo.

Sobre suas polêmicas declarações, o "Washington Post" se refere a um memorando que assinou como diretor do Banco Mundial, no qual sugeria que as nações desenvolvidas deveriam exportar sua poluição aos países em desenvolvimento.

Além disso, como membro do Governo de Clinton irritou um funcionário japonês com suas receitas sobre como os japoneses deviam sanear sua economia então em um momento de desaceleração.

Com a nomeação de hoje, este professor de Harvard se transforma em um dos assessores mais importantes da equipe de Obama.

O novo papel coloca Summers no epicentro das decisões sobre a economia, mas longe do papel público que lhe trouxe problemas anteriormente.

Lawrence Summers é casado com Victoria Summers e é pai de três filhos. EFE elv/db

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