Sumatra, oásis da permissividade para cultivo e consumo de maconha

A maconha é cultivada e fumada quase sem dificuldades no norte da ilha de Sumatra, alheia à contradição de que na Indonésia se aplica a pena de morte aos traficantes de drogas.

EFE |

Como se tentasse dissipar a espessa fumaça branca produzida pela maconha ao se queimar, um morador de Parapat, uma pequena localidade da província de Sumatra do Norte, descarta com forte admiração a possibilidade de se deparar com problemas legais por consumir esta droga de forma ostensiva em um espaço público.

"Em outros lugares da Indonésia fumar erva é um problema grave", reconhece à Agência Efe este jovem, que põe como condição para falar não revelar sua identidade, e prossegue com um sorriso: "Mas aqui, no norte de Sumatra, é algo muito habitual".

A maconha, seus usos e efeitos, são um tema habitual de conversa entre os habitantes locais e os turistas, muito ao contrário do que acontece no resto do país, onde a questão das drogas é considerada, na maioria dos ambientes, um tabu.

No resto da Indonésia, da mesma forma que em outros países asiáticos, são freqüentes as penas de prisão, administradas indistintamente a locais e estrangeiros, por posse e consumo de drogas, e, em alguns casos, a justiça local chega a aplicar a pena de morte aos traficantes.

No entanto, na região de Medan, a capital da província de Sumatra do Norte, e em seus arredores, a combinação de um clima propício para seu cultivo, uma complicada orografia e uma tradição ancestral que reivindica seu uso, favoreceram a permissividade e o consumo da maconha entre seus habitantes.

"A maioria dos cultivos fica lá em cima, nas montanhas", explica o jovem assinalando o perfil de uma cordilheira próxima coberta por uma ligeira neblina, porque "a temperatura e a umidade são as adequadas" e porque o terreno é tão inacessível e selvático que é muito difícil, quase impossível, encontrá-los.

Além disso, a composição da terra de toda a região - em parte de origem vulcânica - valeu à maconha de Medan o sobrenome de "a melhor erva da Indonésia" nos círculos entendidos, que destacam a força de seu sabor e seus efeitos psicotrópicos.

Desde tempos remotos, asseguram vários moradores locais, o consumo de maconha nas províncias de Sumatra do Norte e Aceh foi algo habitual.

De fato, deixando de lado seu uso mínimo, mas exótico, como condimento em alguns pratos típicos de ambas as regiões, há muitos idosos da região que a usam com fins terapêuticos.

No entanto, destacam, os adultos e anciãos consomem quantidades mínimas de maconha, porque são perfeitamente conscientes de seus efeitos e sabem aproveitá-los.

"Ela é utilizada para relaxar, muitas vezes antes de dormir", explicam.

O problema, continuam, é que nos últimos tempos, muitos jovens começam a consumir maconha em quantidades maiores que seus antepassados e para fins puramente lúdicos, imitando os turistas ocidentais que visitam a região atraídos pela permissividade da região e qualidade da produção local.

"Agora os jovens daqui, assim que conseguem um pouco de dinheiro, não duvidam em comprar maconha e cogumelos mágicos... Maconha e cogumelos mágicos o tempo todo", repete o responsável de um estabelecimento hoteleiro da região, que adverte sobre os perigos que pairam sobre essa geração.

Esta espécie de euforia perigosa é a que desponta no sorriso de um jovem de Parapat quando responde à pergunta se é possível conseguir maconha de imediato: "Quantos quilos você quer?"

    Leia tudo sobre: indonésiamaconha

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG