Sul-coreanos pedem vingança por navio afundado

Manifestação teve a participação de veteranos de guerra e conta com slogans contra Kim Jong-Il, líder norte-coreano

iG São Paulo |

Quase 10.000 pessoas, incluindo muitos veteranos de guerra, pediram nesta quinta-feira em Seul uma resposta ao naufrágio da corveta sul-coreana "Cheonan" , que segundo uma investigação internacional foi provocado por um torpedo norte-coreano.

Os manifestantes também pediram ao governo uma punição aos membros da oposição ao presidente Lee Myung-Bak que questionam as conclusões da investigação.

"Morra Kim Jong-Il", gritavam os manifestantes, em referência ao líder norte-coreano, filho e sucessor do fundador, em 1948, da República Popular Democrática da Coreia, Kim Il-Sung. Os manifestantes queimaram uma bandeira norte-coreana.

AP
Milhares de sul-coreanos protestaram nesta quinta-feira contra as ações da Coreia do Norte

Coreia do Norte rompe relações

A Coreia do Norte anunciou na última terça-feira o rompimento de todas as suas relações com a Coreia do Sul e o corte das comunicações entre os dois países, em meio à crescente escalada de tensão na Península Coreana após o naufrágio de um navio de guerra sul-coreano pela Coreia do Norte , informou a agência sul-coreana "Yonhap".

Os norte-coreanos anunciaram também que expulsarão todos os sul-coreanos que trabalham no complexo industrial de Kaesong, localizado ao norte da linha que separa os dois países, ainda que seja financiado por Seul, acrescentou a mesma fonte.

Todos os barcos e os aviões sul-coreanos terão acesso proibido às águas territoriais e ao espaço aéreo norte-coreano, explicou a agência.

Em comunicado do norte-coreano Comitê para a Reunificação Pacífica da Coreia, o regime comunista afirmou que não haverá mais diálogo entre as Coreias durante o mandato de Lee Myung-bak como presidente da Coreia do Sul, segundo "Yonhap".

EUA garantem apoio a Seul

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, afirmou nesta quarta-feira que seu país e a Coreia do Sul "trabalharão juntos" no Conselho de Segurança da ONU para definir uma resposta às "atitudes beligerantes" da Coreia do Norte.

Em entrevista coletiva junto ao ministro sul-coreano de Exteriores, Yu Myung-hwan, a chefe da diplomacia americana qualificou o afundamento da embarcação sul-coreana "Cheonan", no qual morreram de 46 marinheiros no último dia 26 de março, como "uma provocação inaceitável" da Coreia do Norte, que "não pode ser ignorada".

"Pedimos à Coreia do Norte que pare com essas provocações, ameaças e beligerâncias contra seus vizinhos e tome medidas para cumprir seus compromissos de desnuclearização", disse Hillary, que considerou provada a responsabilidade de Pyongyang no afundamento do "Cheonan", como concluiu na quinta-feira uma investigação internacional em Seul.

"A comunidade internacional tem a responsabilidade e o dever de responder", disse Hillary, que expressou também o "pleno apoio" dos EUA às medidas "prudentes e absolutamente apropriadas" anunciadas pelo presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak.

Lee, com quem a secretária se reuniu nesta quarta em Seul, defende que o caso do "Cheonan" deve ser levado ao Conselho de Segurança da ONU, e paralisou o comércio com Coreia do Norte , que por sua vez anunciou o rompimento de suas relações com seus vizinhos do Sul.

Crise após naufrágio

A nova crise entre os dois países, separados desde o fim da Guerra da Coreia (1950-53), foi provocada pela publicação na semana passada dos resultados de uma investigação internacional que estabeleceu que a corveta sul-coreana "Cheonan" foi afundada por um torpedo norte-coreano . Quarenta e seis marinheiros sul-coreanos morreram no afundamento do navio.

Na última semana, especialistas dos Estados Unidos, Grã-Bretanha, Austrália e Suécia concluíram, em um relatório, que o navio militar sul-coreano foi afundado depois de ser atingido por um torpedo da Coreia do Norte. De acordo com o relatório, partes do torpedo recuperadas do fundo do mar mostram um tipo de letra encontrado em outros torpedos norte-coreanos.

A Coreia do Norte nega qualquer envolvimento no incidente, afirmando que os resultados da investigação são uma "fabricação", e ameaçando com guerra, caso sejam impostas novas sanções.

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