Sul-coreanos cruzam fronteira para dar pêsames pela morte de Kim Jong-il

Ex-primeira-dama sul-coreana lidera uma das delegações; Kim Jong-un é nomeado chefe do principal órgão político da Coreia do Norte

iG São Paulo |

As duas únicas delegações sul-coreanas autorizadas por Seul a viajar para a Coreia do Norte para dar seus pêsames pela morte do ditador Kim Jong-il , em 17 de dezembro , cruzaram nesta segunda-feira a fronteira entre os dois países, informou a agência sul-coreana Yonhap.

AP
Lee Hee-ho (E), viúva do ex-presidente sul-coreano Kim Dae-jung, e a presidente do Grupo Hyundai, Hyun Jeong-eun, são vistas antes de partir para a Coreia do Norte
As duas comitivas somam 19 pessoas e estão lideradas pela ex-primeira-dama Lee Hee-ho, viúva do ex-presidente sul-coreano Kim Dae-jung , e por Hyun Jung-eun, viúva de Chung Mong-hun, o ex-presidente do Grupo Hyundai que trabalhou por pesados investimentos industriais no Norte. Hyun atualmente preside a Hyundai. Autoridades disseram que a senhora Lee, de 89 anos, não está representando o governo da Coreia do Sul. Ela não permanecerá no país para o enterro, previsto para quarta-feira.

Seul decidiu autorizar a viagem dessas duas personalidades e seus acompanhantes porque a Coreia do Norte enviou delegações quando seus respectivos maridos morreram, ambos promotores ativos da reconciliação entre as duas Coreias durante a década passada.

Pyongyang advertiu no domingo a Seul de consequências "catastróficas" nas relações intercoreanas se não permitisse que os cidadãos sul-coreanos que desejem expressar suas condolências pela morte de Kim se desloquem até a Coreia do Norte.

Na sexta-feira, o regime comunista anunciou que acolheria qualquer grupo do país vizinho que quisesse dar seus pêsames na capital norte-coreana, e pouco depois Seul anunciou que só autorizaria a viagem ao Norte dessas duas delegações.

As delegações sul-coreanas fazem uma reunião de almoço com altos funcionários da Coreia do Norte na capital, Pyongyang, antes de apresentar seus cumprimentos a Kim Jong-il, disse à Yonhap o Ministério da Unificação do Sul.

Sucessão em Pyongyang

Nesta segunda-feira, a mídia estatal do Norte continuou promovendo Kim Jong-un , um dos filhos de Kim Jong-il, como o sucessor do pai.

De acordo com a BBC, a ex-primeira-dama sul-coreana teve um breve encontro com Kim Jong-un nesta segunda-feira durante sua viagem a Pyongyang. Seul insiste, entretanto, que a viagem de Hyun Jung-eun não tem fins políticos e que ela não carrega nenhuma mensagem do governo.

O jornal Rodong Sinmun o descreveu como chefe do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores, indicando que ele agora controla um dos principais órgãos de tomada de decisão do país. Previamente, a publicação lhe deu o título de " comandante supremo " das Forças Armadas.

A designação de chefe do partido mostraria que o jovem sucessor, cuja idade se estima em pouco menos de 30 anos, está em processo de assumir o controle total do país após a morte do pai.

De acordo com artigos do periódico, que o descrevem como líder da poderosa Comissão Militar Central e pedem lealdade a sua pessoa, sugerem que Kim Jong-un desempenha os cargos de presidente do órgão militar e de secretário-geral do Partido dos Trabalhadores. "Todas as organizações do partido defende a ideologia e a liderança do grande camarada Kim Jong-un com um pensamento único", diz o periódico.

Em meio às incertezas causadas pela troca de comando no regime norte-coreano, o primeiro-ministro japonês, Yoshihiko Noda, e o presidente da China, Hu Jintao, mantiveram nesta segunda-feira um encontro em Pequim no qual acertaram cooperar por uma península coreana estável.

"China e Japão trabalharão juntos para que a paz e a estabilidade na península coreana sejam realidade e para garantir a segurança da região do nordeste asiático", comentou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Hong Lei, sobre a reunião.

De acordo com Hong, a Coreia do Sul também deve participar dessa cooperação, ressaltando que Tóquio e Pequim devem aproveitar a celebração do 40º aniversário da normalização de suas relações para promover "paz e prosperidade na região da Ásia-Pacífico".

A China é o principal aliado da Coreia do Norte e seu maior fornecedor de ajuda humanitária e energética, enquanto para o Japão o regime de Kim foi um constante motivo de temores pela estabilidade regional, especialmente nos últimos anos, quando Pyongyang se transformou em potência nuclear.

*Com EFE e BBC

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