Sul-africanos festejam liderança de Zuma e do CNA

JOHANESBURGO - Milhares de seguidores do partido Congresso Nacional Africano celebraram na quinta-feira a virtual eleição de Jacob Zuma como presidente da África do Sul.

Reuters |


Zuma dançou e cantou seu tradicional hino antiapartheid "Bring me my machine gun" ("traga minha metralhadora"), e salientou que o CNA "ainda não está celebrando a vitória", embora tenha uma cômoda liderança, depois de apurados cerca de 60 por cento dos votos.

Os últimos resultados dão ao partido 66,73 por cento dos votos, ou seja, muito próximo da maioria de dois terços que lhe permite emendar a Constituição - um cenário que preocupa os investidores, embora o partido prometa não abusar desse direito.

"Este partido é um elefante. Não se pode realmente derrubar um elefante", disse Zuma a um mar de seguidores vestidos com as cores amarelo, verde e preto, na sede do CNA em Johanesburgo.

Zuma, 67 anos, polígamo e autodidata, se diz um defensor dos pobres, e para muitos eleitores as credenciais do CNA na luta contra o regime do apartheid ainda superam o fracasso do partido em combater a criminalidade, a pobreza e a Aids nestes 15 anos de governo.


Zuma (dir.), de 67 anos, é o favorito nas eleições da África do Sul / AP


Nesta eleição, o CNA enfrentou uma oposição mais articulada, que esperava pelo menos impedir que o partido repetisse a maioria de dois terços no Parlamento. Em 2004, o CNA teve 70 por cento dos votos.

Mas o partido Congresso do Povo (Cope), fundado em 2008 por dissidentes do CNA, ficou apenas com 7,68 por cento dos votos já apurados. O maior desafio ao CNA veio mesmo da Aliança Democrática, sob a liderança da branca Helen Zille, que tinha 16,16 por cento.

A Aliança Democrática está à frente na província do Cabo Ocidental, principal destino turístico do país, hoje sob a liderança do CNA. "Temos de realinhar a política na África do Sul, e é isso que vou passar os próximos cinco anos fazendo", disse Zille.

O resultado final do pleito só deve ser conhecido na sexta-feira, mas já não há dúvidas de que Zuma será o próximo presidente. Há apenas três semanas, ele conseguiu que o Ministério Público arquivasse um caso de corrupção que se arrastava havia oito anos, manchando sua reputação.

Simpatizantes em Johanesburgo berravam e tocavam buzinas quando Zuma, vestido de camisa polo vermelha e jaqueta de couro, usou um discurso salpicado de expressões no idioma zulu para estimular as bases partidárias e capitalizar o seu apelo populista.

Já os investidores estrangeiros ficaram menos contentes, e Zuma terá de tranquilizá-los de que seus aliados sindicalistas não o levarão para a esquerda, num momento em que a África do Sul pode estar passando por sua primeira recessão em 17 anos.

O rand (moeda local) teve uma ligeira valorização na quinta-feira, refletindo a eleição tranquila da véspera, mas em seguida cedeu.

Zuma diz repetidamente que não haverá surpresas desagradáveis para os investidores, e sua margem de manobra de fato é limitada por causa da crise global. O ministro das Finanças, Trevor Manuel, muito respeitado pelos mercados, é cotado para ficar no cargo.

O eventual futuro presidente também promete combater a criminalidade desenfreada, que ameaça macular a Copa do Mundo de 2010 no país.

As autoridades eleitorais estimaram o comparecimento às urnas em 76 por cento, igual ao de 2004. A polícia diz que a eleição foi pacífica, embora o Cope tenha dito que um funcionário seu foi baleado e morto, possivelmente por razões políticas.

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