Sul do Sudão vota mirando plebiscito sobre independência

Jorge Fuentelsaz. Juba (Sudão), 13 abr (EFE).- A região autônoma do sul do Sudão, que em 2011 terá um plebiscito sobre sua independência, vive as atuais eleições gerais entre sérias dificuldades de organização e pouca participação.

EFE |

O povo de Sudão do Sul vai às urnas pelo terceiro dia seguido para votar em eleições presidenciais e parlamentares. O pleito, que terminaria hoje, foi estendido por mais dois dias por problemas de organização no domingo e na segunda-feira.

Os erros foram sentidos de forma especial no sul do país. A região é menos desenvolvida e, em 2005, saiu de uma guerra civil que já durava 21 anos e deixou dois milhões de mortos e quatro milhões de deslocados.

"Fui a três centros eleitorais e em nenhum deles eu estava registrado. Só consegui votar no quarto", disse à Agência Efe Kulang, um jovem de 26 anos que votava em Juba, a principal cidade do sul do país.

Coisa parecida aconteceu com o eleitor Alex Mongu, que conseguiu votar na Universidade de Juba depois que outra zona eleitoral o rejeitasse por não estar registrado.

Apesar das dificuldades, Kulang disse estar entusiasmado por ser a primeira vez que vota. "Como cidadão, tenho direito a votar e ninguém me forçou a fazê-lo", comentou.

Nessa região, de economia de subsistência, domina politicamente o Movimento Popular para a Libertação do Sudão (MPLS), braço político do grupo rebelde que lutou contra o norte por duas décadas.

Os cartazes eleitorais do MPLS predominam nas ruas de Juba, cidade de casas baixas e precárias.

Graças aos acordos assinados em 9 de janeiro de 2005, o líder máximo do MPLS, Salva Kiir, é presidente da região autônoma e também primeiro vice-presidente do Sudão. O posto, no entanto, não o impede de manter uma postura crítica em relação ao Governo.

O MPLS decidiu boicotar as eleições nas províncias do norte do Sudão, com a exceção de duas limítrofes com o sul onde é favorito, pelas dúvidas sobre a transparência dos protestos expressadas pelo próprio partido e outros de oposição.

"Estamos sendo testemunhas de algo que superou as piores expectativas no desenvolvimento do processo eleitoral", disse hoje, ao diário digital "Sudan Tribune", Yasser Arman, candidato presidencial do MPLS retirado da corrida eleitoral.

No mesmo dia em que a votação foi aberta, o MPLS pediu uma extensão do processo eleitoral, o que no final foi aprovado, por ter detectado erros no censo e um atraso significativo na abertura das urnas.

A falta de eleitores no censo e os erros na hora de escrever os próprios nomes parecem ter sido os grandes obstáculos durante as eleições no sul do país, além de algumas ações de violência.

"No primeiro dia, 110 pessoas vieram votar e no segundo, 140", assegurou Gatluak Hany, observador do MPLS que estava na zona eleitoral da universidade. Nela, os eleitores tiveram que dividir espaço com várias cabras que pastavam tranquilamente entre um calor sufocante.

O sul do Sudão, habitado por cerca de oito milhões de pessoas, não só saiu há pouco tempo de um longo conflito armado, mas periodicamente vive lutas tribais violentas.

"Se tivermos sucesso em tranquilizar um pouco o desenvolvimento da votação e que a votação continue nas zonas em que foi impossível fazê-lo por motivos logísticos, ficaria contente", afirmou a chefe da missão eleitoral da União Europeia, Véronique de Keyser.

A eurodeputada belga, que está à frente de uma equipe de 166 observadores, a maior enviada ao Sudão, esteve presente em Juba para se reunir com as principais autoridades do Governo autônomo, além de analisar o desenvolvimento da votação.

"Aqui, no sul, tudo é mais difícil. A falta de estradas e de desenvolvimento econômico tem um papel importante nas eleições", completou a chefe da missão eleitoral europeia. EFE jfu/rr

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