Sul do Sudão vai às urnas pela independência

Nos próximos sete dias, sudaneses do sul decidem, por meio de um referendo, se querem ser um país independente do norte

EFE |

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Mulher sudanesa vota neste domingo em Kadugli

Os centros de votação do sul do Sudão começaram neste domingo a abrir suas portas às 8h (horário local, 3h de Brasília) no início de um plebiscito de separação que se prolongará por sete dias. Foram convocados um total de 3,9 milhões de sudaneses originais do sul do país e que tenham chegado à região desde 1956. O voto será exercido não só no sul do Sudão, mas no resto do país e em outras oito nações, para os emigrantes.

As cédulas têm apenas duas opções: a unidade, representada por duas mãos entrelaçadas, e a separação, representada pela palma de uma mão em sinal de parada.

Esta votação é o resultado do acordo de paz assinado em 2005 entre o norte e o sul do Sudão, que pôs fim a duas décadas de uma guerra que causou cerca de dois milhões de mortos.

A votação acontece até o dia 15 de janeiro. Os resultados totais preliminares serão anunciados por volta do final deste mês, e o prazo final, uma vez revisadas todas as impugnações, será o dia 14 de fevereiro.

Em caso que de aprovada a separação, a opção favorita nas pesquisas, no final de julho vencerá o período transitório fixado nos acordos de paz de 2005 e se dará início ao surgimento de uma nova nação, a primeira deste século.

Voto

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Salva Kir vota no prebiscito
O presidente da região autônoma do sul do Sudão, Salva Kiir, votou no plebiscito de autodeterminação aberto neste domingo e fez um apelo às forças de segurança para proteger todos os eleitores. Kiir emitiu seu voto na capital do sul do Sudão, no mausoléu de John Garang, a histórica figura que liderou a rebelião do sul contra o norte e que morreu em um acidente de helicóptero em 30 de julho de 2005, sete meses depois que se assinou a paz.

Bastão na mão, de traje escuro e gravata e com o habitual chapéu negro que costuma usar, Salva Kiir depositou seu voto acompanhado do presidente do Birô do Plebiscito do Sul do Sudão, Chan Reec Madut.

Salva Kiir, logo após votar, cumprimentou os eleitores e os jornalistas que estavam no lugar deixando clara a palma de sua mão, com o índice marcado pela tinta indelével.

Em uma breve mensagem, o presidente da região autônoma repetiu várias vezes um apelo às forças de segurança para que protejam os centros de votação e o povo que acuda às urnas, assim como "todos os estrangeiros" que se encontram no país.

O presidente da região autônoma também pediu paciência aos eleitores para que, em caso de não poderem emitir seu voto hoje, o façam nos dias restantes, já que têm até o dia 15 de janeiro para escolher sua preferência.

Em sua mensagem, Salva Kiir rendeu uma homenagem a John Garang e a todos os que lutaram em favor da independência do sul do Sudão durante as duas décadas da guerra contra o norte.

"Tomara que não tenham morrido em vão", acrescentou.

Arte/ iG
O Sudão, que pode vir a ser dois países, é o terceiro maior produtor de petróleo da África Subsaariana

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