Cartum, 27 jul (EFE).- O Movimento Popular para a Libertação do Sudão (MPLS), que governa o sul do país, anunciou hoje que seu líder, Silva Kir, se apresentará como candidato às eleições presidenciais do próximo ano.

Após uma reunião do escritório político do MPLS em Yuba, capital do sul do Sudão, o porta-voz do grupo, Yasser Armam, disse para jornalistas que seu movimento se apresentará às eleições legislativas e presidenciais do ano que vem.

Para garantir a transparência do pleito, Armam pediu a formação de um conselho eleitoral nacional com pessoas conhecidas por sua "independência e integridade" para que não se repitam no Sudão episódios como os que aconteceram no Zimbábue e no Quênia.

Também pediu que a região de Darfur (oeste) participe do processo eleitoral.

Além disso, o porta-voz do MPLS explicou que sua organização traçou uma estratégia para o pleito, que será discutida para sua aprovação no próximo Conselho de Libertação Nacional de seu grupo, integrado por 295 membros.

O Parlamento sudanês aprovou no último dia 7 uma nova lei eleitoral que permite a participação de partidos políticos nos pleitos legislativos e presidenciais pela primeira vez em quase duas décadas.

Esta norma foi aprovada no âmbito da transição democrática que prevê o acordo de paz, assinado em 9 de janeiro de 2005 entre o Governo do Sudão e os rebeldes do sul, e que pôs fim a 21 anos de guerra civil.

O pacto também prevê a realização de eleições em todo o país antes de 2009.

Este acordo acabou com um conflito que causou a morte de 2 milhões de pessoas em combates entre o norte muçulmano e os rebeldes do sul desde 1983, quando Cartum impôs a sharia (lei islâmica) em todo o país, inclusive no sul, onde a população é majoritariamente animista ou cristã. EFE az/ab/fal

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