Por Jon Herskovitz SEUL (Reuters) - O presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, enfrenta nesta semana o complicado desafio de acalmar o rancor político manifestado por rivais nesta segunda-feira devido ao suicídio do antecessor dele, Roh Moo-hyun, numa crise que pode ameaçar as reformas econômicas do governo.

Agravando ainda mais a situação, a Coreia do Norte promoveu testes de uma poderosa arma nuclear e de mísseis de curto alcance.

Analistas dizem que uma das motivações de Pyongyang é pressionar Seul a retomar as políticas de ajuda ao Norte, a exemplo do que acontecia no governo de Roh, que buscou uma aproximação com o vizinho comunista.

Mas o teste pode acabar beneficiando Lee, por desviar a atenção das questões internas, e porque pode fazer a população sul-coreana se unir em torno do seu líder num momento de aparente ameaça, dizem analistas.

O mercado financeiro sul-coreano abriu em baixa na segunda-feira por temores de que o suicídio de Roh gere distúrbios sociais ou tensão política. O ex-presidente, que era acusado de corrupção, se jogou de um penhasco no sábado.

A Bolsa de Seul e a cotação do won voltaram a cair com a notícia do teste nuclear norte-coreano, mas ambos se recuperaram. O principal índice mercantil sul-coreano acabou fechando em baixa de apenas 0,2 por cento.

Lee, um ex-empresário, foi eleito em 2007 com uma plataforma contrária às políticas centro-esquerdistas de Roh. Partidários do ex-presidente questionam o atual governo conservador pelas investigações de corrupção que levaram ao suicídio dele.

"Acho que há questões pelas quais (Lee) deveria ser politicamente responsabilizado", disse o parlamentar Song Young-gil, do Partido Democrático, o principal da oposição, à rádio MBC.

O jornal esquerdista Hankyoreh disse em editorial que o governo Lee deveria "parar de usar promotores como perpetradores (de crimes)."

Por enquanto, a ira da opinião pública está voltada contra a ação dos promotores, mas qualquer passo em falso de Lee pode fazer com que ele passe a impressão ruim de que buscava uma vingança política contra seu antecessor, disse Hahm Sung Deuk, professor de Ciência Política da Universidade da Coreia.

"Isso então ameaçaria a agenda do partido governista na sessão parlamentar extraordinária de junho", disse Hahm. O governo Lee tem tido grandes dificuldades para aprovar reformas no Parlamento.

Mais de 100 mil pessoas foram ao velório de Roh na aldeia natal dele, chamada Bonhga, no sudeste do país. Assessores do governo ainda não decidiram se Lee deve comparecer, já que partidários de Roh destruíram uma coroa de flores enviada pelo presidente. O enterro está marcado para sexta-feira.

(Reportagem adicional de Kim Junghyun, Yoo Choonsik e Jungyoun Park)

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