Suicida mata 3 no Paquistão; ONU retira filhos de funcionários

Por Augustine Anthony ISLAMABAD (Reuters) - A ONU anunciou na quinta-feira a retirada dos filhos de seus funcionários estrangeiros do Paquistão, por razões de segurança, no mesmo dia em que um homem-bomba matou três outras pessoas no noroeste do país, tendo como alvo um influente político da etnia pashtun, segundo a polícia.

Reuters |

Asfandya Wali Khan, líder do Partido Nacional Awami (de tendência liberal, parte da coalizão de governo), escapou ileso do atentado, na cidade de Charsadda, de acordo com as autoridades.

Após uma série de atentados de militantes islâmicos, a ONU disse ter entrado na "fase de segurança 3", sob a qual filhos e possivelmente cônjuges de funcionários estrangeiros têm de deixar o país.

"Vários incidentes de segurança no passado recente, inclusive a bomba no Hotel Marriott , chamaram a atenção para a prevalente situação de segurança no país e para os potenciais riscos para as comunidades nacional e internacional", disse a ONU em nota.

O estado de alerta da ONU vale para Islamabad, Rawalpindi, Quetta e nove distritos do Baluchistão.

Ishrat Rizvi, assessora de imprensa da ONU em Islamabad, disse que a entidade mantém seu compromisso com o Paquistão e que a retirada das crianças "não faz qualquer diferença no trabalho das Nações Unidas".

Um chefe de segurança da ONU renunciou neste ano por causa de um inquérito que responsabilizou seu departamento por ignorar repetidos apelos internos pela elevação do nível de segurança na Argélia, antes do atentado de dezembro de 2007 que matou 17 funcionários da organização.

Na quarta-feira, a chancelaria britânica já havia retirado os filhos dos seus diplomatas do Paquistão. ONGs, multinacionais e outras embaixadas devem seguir o exemplo. O governo deu garantias de que está se empenhando em proteger expatriados depois do atentado no Marriott, que matou o embaixador checo e cinco outros estrangeiros.

As forças paquistanesas tentam combater os militantes da Al Qaeda e do Taliban nas regiões remotas e semi-autônomas que ficam próximas à fronteira com o Afeganistão. Desde agosto, cerca de mil militantes foram mortos, segundo os militares.

Fontes hospitalares disseram que mais de 12 pessoas ficaram feridas no atentado de quinta-feira em Charsadda.

"Obviamente o sr. Asfandyar Wali era o alvo, já que o homem-bomba tentou entrar na sua casa de hóspedes, mas foi baleado pelos seguranças. Ele então caiu no chão e se explodiu", disse à Reuters o chefe regional de polícia Malik Naveed. O partido de Wali se opõe ferozmente à militância islâmica.

Desde julho de 2007, o Paquistão registrou 89 atentados suicidas, com quase 1.200 mortos, segundo cifras dos militares.

Além disso, o país enfrenta uma grave crise econômica -- com aumento do déficit das contas públicas e uma inflação superior a 25 por cento ao ano. O principal índice da Bolsa local caiu 41,7 por cento depois de atingir seu auge em abril, e a rúpia se desvalorizou 21,3 por cento frente ao dólar neste ano.

(Reportagem adicional de Louis Charbonneau, nas Nações Unidas)

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