Suíça pede à Colômbia fim dos ataques contra ex-mediador suíço

Genebra, 16 jul (EFE).- O Governo suíço informou que iniciou gestões diplomáticas na Colômbia para pedir que parem os repetidos ataques contra Jean-Pierre Gontard, ex-mediador na busca de uma solução humanitária para o caso dos reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

EFE |

A Procuradoria colombiana anunciou nesta terça-feira que convocará Gontard para que responda pela acusação de ter transportado US$ 500.000 destinados à guerrilha durante sua missão mediadora.

Essa acusação foi feita pelo ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, que se baseou em mensagens encontradas nos computadores do ex-número dois das Farc, "Raúl Reyes", que morreu em uma operação militar em território equatoriano, e que indicavam que o mediador suíço tinha levado esse dinheiro a um emissário do grupo armado na Costa Rica.

Em comunicado, o Ministério de Assuntos Exteriores da Suíça afirma que teve conhecimento de uma eventual investigação contra Gontard "através da imprensa", que não recebeu nenhuma comunicação oficial a respeito e que seu representante "trabalhou em circunstâncias extremamente difíceis, às vezes com risco à vida".

Acrescenta que Gontard realizou sua missão "como parte de uma facilitação internacional na qual participaram três países (Espanha, França e Suíça), que buscava objetivos humanitários" e que contava com "o acordo do Governo colombiano".

A Suíça sustenta que isso "permitiu salvar vidas e libertar pessoas seqüestradas em condições muito duras".

Além disso, o ministério reage no comunicado às acusações das autoridades colombianas contra Gontard relacionadas à entrega de US$ 500.000 às Farc.

A esse respeito, afirma que "se trata de uma facilitação que se remonta a 2001, em relação a duas pessoas de uma companhia suíça" que tinham sido seqüestradas pelo grupo armado.

A Suíça defende que, nesse caso, Gontard "contribuiu para o sucesso da negociação entre a empresa e as Farc", mas que "nunca foi o portador desse dinheiro", como "a companhia envolvida afirmou com toda clareza".

A firma em questão é a Novartis, cujo presidente, Daniel Vasella, negou publicamente que Gontard tivesse levado o dinheiro do resgate de seus empregados e, pelo contrário, destacou o papel que este teve na libertação dos seqüestrados.

Depois do resgate da franco-colombiana Ingrid Betancourt e de mais 14 seqüestrados em 2 de julho, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, decidiu colocar fim à intervenção autorizada dos países medidores e anunciou sua intenção de estabelecer um contato direto com as Farc. EFE is/an

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