Suíça nega fiança para Roman Polanski

O Ministério da Justiça da Suíça negou nesta terça-feira a possibilidade de fiança para o cineasta Roman Polanski, preso em Zurique desde 26 de setembro e aguardando uma possível extradição para os Estados Unidos. Um porta-voz do ministério, Folco Galli, afirmou que o governo suíço acredita que há um grande risco de Polanski fugir se for libertado.

BBC Brasil |

"A libertação sob fiança, ou outras medidas depois da liberação, não podem garantir a presença de Polanski no procedimento de extradição", afirmou.

O cineasta de 76 anos, que tem cidadanias francesa e polonesa, mora na França e havia viajado à Suíça para receber um prêmio pelo conjunto de sua obra no Festival de Cinema de Zurique.

Polanski foi detido por causa de um alerta internacional emitido pelos Estados Unidos, após um mandado de prisão originalmente emitido há 31 anos pela Justiça americana.

Em 1977, ele admitiu ter mantido relações sexuais com uma garota de 13 anos, o que é ilegal no país, mas no ano seguinte fugiu para a França antes de receber a sentença.

Os advogados de Polanski disseram que vão contestar sua prisão e qualquer tentativa de extraditá-lo para os Estados Unidos.

Carta
Os representantes legais do cineasta também fizeram um pedido ao Superior Tribunal Penal da Suíça pedindo a libertação de Polanski, mas a decisão do tribunal deve ser influenciada pela posição do Ministério da Justiça.

Folco Galli disse que o Ministério já enviou uma carta ao tribunal explicando a razão de ser contra a liberação do cineasta.

Polanski recebeu à distância o Oscar de melhor filme pela obra O Pianista, de 2002, que conta as memórias de um músico judeu em plena ocupação nazista de Varsóvia durante a Segunda Guerra Mundial.

A prisão do cineasta gerou protestos entre alguns políticos e nomes famosos de Hollywood. Diretores e atores assinaram um abaixo-assinado pedindo sua libertação, entre eles Woody Allen, Martin Scorsese, Terry Gilliam, Pedro Almodóvar e Stephen Frears.

Alguns artistas, como as atrizes Fanny Ardant e Monica Bellucci, assinaram uma carta manifestando seu "horror" com a prisão do cineasta.

A vítima do cineasta, Samantha Geimer, processou Polanski em dezembro de 1988. O cineasta concordou em pagar US$ 500 mil cinco anos depois.

Mas em janeiro deste ano Geimer pediu à Justiça americana que arquive as acusações contra Polanski alegando que a divulgação contínua dos detalhes do caso "causa danos a mim, meu marido e meus filhos".

Na semana passada, o governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, afirmou que o cineasta não deve receber tratamento especial por ser um "diretor de cinema importante".

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